O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “inaceitável” a resposta apresentada pelo Irã à nova proposta americana para encerrar a guerra iniciada no fim de fevereiro. A reação do republicano ocorreu após o governo iraniano enviar contraproposta mediada pelo Paquistão, em meio à pausa relativa nas hostilidades para abertura de negociações diplomáticas.
“Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gostei — Totalmente inaceitável!”, escreveu Trump na rede social Truth Social.

Mais cedo, autoridades paquistanesas confirmaram o recebimento da contraproposta iraniana, embora sem detalhar oficialmente seu conteúdo. Segundo a agência iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, Teerã concentrou suas exigências no encerramento definitivo do conflito, no fim das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e na liberação de cerca de US$ 100 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior.
O plano iraniano também defenderia participação de Teerã na administração do Estreito de Ormuz, atualmente afetado por bloqueios simultâneos impostos pelo Irã e pelos Estados Unidos, fator que elevou tensões sobre o fluxo internacional de petróleo.
Em contrapartida, o governo iraniano evitou assumir compromissos relacionados ao futuro de seu programa nuclear. Segundo o portal Axios, a proposta americana previa congelamento das atividades de enriquecimento de urânio por até 20 anos, além de garantias de que o Irã não desenvolveria armamento nuclear. Inicialmente, Teerã teria sugerido apenas uma suspensão temporária de aproximadamente cinco anos, sem desmantelar suas instalações nucleares.
Uma fonte do governo iraniano afirmou à Tasnim que a insatisfação de Trump pode indicar resistência americana à realidade das negociações. “Se Trump está insatisfeito com isso, geralmente é um bom sinal. Trump simplesmente não gosta da realidade; é por isso que ele continua perdendo para o Irã”, afirmou a fonte, acrescentando que o regime iraniano não formula propostas para “satisfazer” o presidente americano.
Ainda não está claro se a declaração pública de Trump representa rejeição definitiva à contraproposta iraniana ou se faz parte da estratégia de pressão adotada pela Casa Branca para acelerar um acordo.
Neste domingo, o presidente americano voltou a criticar a demora de Teerã em responder às mensagens enviadas por Washington. Na semana passada, Trump havia afirmado esperar uma posição iraniana até sexta-feira, o que não ocorreu dentro do prazo estipulado.
Em entrevista exibida neste domingo, Trump também afirmou que planos militares permanecem em análise. Segundo ele, os Estados Unidos seguem avaliando a retomada de bombardeios contra alvos iranianos que ainda considera estratégicos.
A agência estatal iraniana IRNA reagiu às declarações afirmando que Washington tenta “redefinir a atmosfera política” das negociações por meio de pressão máxima. Segundo a publicação, a postura americana tende a ampliar a complexidade diplomática e dificultar avanços graduais nas conversas.
De acordo com a CNN, Trump conversou neste domingo com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, embora o conteúdo da ligação não tenha sido divulgado oficialmente.
Em entrevista à CBS, Netanyahu voltou a demonstrar preocupação com os estoques iranianos de urânio enriquecido, estimados em cerca de 400 quilos. O líder israelense não descartou ações militares para retirada do material, embora tenha afirmado preferir uma solução negociada para encerrar o impasse nuclear.