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Transnordestina

Transnordestina bate recorde de avanço diário e governo acelera conclusão da ferrovia

Obra já supera 100 quilômetros concluídos e segue como uma das principais apostas para ampliar a logística e a competitividade do Nordeste
Por O Correio de Hoje
16/06/2026 | 12:50

A Ferrovia Transnordestina alcançou um novo marco operacional ao registrar, no último dia 7 de junho, o maior ritmo diário de montagem desde o início das obras. O avanço ocorre em meio aos esforços do governo federal para acelerar a conclusão do empreendimento e destravar a retomada de trechos considerados estratégicos para a integração logística do Nordeste.

Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), as equipes responsáveis pela construção concluíram 1,69 quilômetro de ferrovia em um único dia durante a instalação de 3,36 quilômetros de trilhos no Lote 5, localizado em Quixeramobim, no Ceará. O desempenho representa o maior volume diário registrado desde o início da implantação da malha ferroviária.

Transnordestina
Obras da ferrovia Transnordestina avançaram mais de 100 km no Ceará e agora a meta é agilizar Pernambuco - Foto: yas fonseca / midr

A obra já ultrapassou a marca de 100 quilômetros de ferrovia concluída e integra um projeto de 1.206 quilômetros de extensão que ligará o município de Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará. Ao longo do percurso, a ferrovia atravessará 53 municípios nordestinos.

Considerada a maior obra linear atualmente em execução no Brasil, a Transnordestina é vista pelo governo federal como um dos principais projetos de infraestrutura logística do País. A expectativa é ampliar a capacidade de escoamento da produção regional, reduzindo custos de transporte para cargas como soja, milho, fertilizantes, combustíveis, cimento e minério.

A primeira fase da ferrovia alcançou cerca de 81% de execução física. A previsão oficial é que essa etapa seja concluída em 2027. Até o momento, o empreendimento recebeu investimentos de R$ 9,8 bilhões, de um orçamento total estimado em R$ 15 bilhões.

O Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) permanece como uma das principais fontes de financiamento da obra. Em março deste ano, o governo federal aprovou a liberação de mais R$ 152,4 milhões para manter o cronograma de execução. Desde o início do projeto, mais de R$ 6,6 bilhões já foram desembolsados pelo fundo.

Para o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, a aceleração dos trabalhos reforça a importância da ferrovia para a economia nacional.

“Nós vamos avançar em ritmo acelerado para concluir essa ferrovia, que é fundamental na geração de empregos e oportunidades na área logística do País”, afirmou.

Enquanto as obras avançam no trecho principal entre o Piauí e o Ceará, o governo federal também trabalha para viabilizar a retomada da ligação entre Salgueiro e o Porto de Suape, em Pernambuco. O segmento foi devolvido pela concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA) em 2022 e voltou a ser tratado como obra pública.

Na última sexta-feira 12, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que atuará junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para acelerar a liberação do empreendimento.

“Nós vamos trabalhar junto ao TCU para liberar o mais rápido possível, porque esse trecho da Transnordestina que vem para Suape já está licitado e contratado. É só o TCU dar o ok que as obras podem começar”, declarou durante a inauguração do novo terminal de contêineres da APM Terminals, no Complexo Industrial Portuário de Suape.

Em maio, o TCU suspendeu a contratação das obras do trecho até que fossem apresentados estudos atualizados sobre a viabilidade do projeto. O processo envolve a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e o Ministério dos Transportes.

A corte determinou que novos compromissos financeiros relacionados ao trecho não sejam assumidos até que sejam demonstrados de forma adequada os benefícios socioeconômicos e a pertinência da intervenção. O tribunal também concedeu prazo para que a Infra S.A. apresente um plano de ação atualizado para a conclusão do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea), uma vez que o documento atualmente utilizado foi elaborado em 2017.

Apesar das exigências, Alckmin defendeu o avanço simultâneo das etapas administrativas e operacionais.

“Isso (a entrega do estudo) pode ser concluído depois. Eu acho que é possível a gente poder avançar e ir já tocando as obras”, afirmou.

As discussões sobre a Transnordestina ganharam novo capítulo no fim de maio, quando o TCU determinou ajustes adicionais no processo de repactuação da concessão ferroviária. Entre as medidas, a corte proibiu a utilização de recursos oriundos de indenizações e conversão de multas para cobrir obrigações antigas da concessionária, estabelecendo que esses valores sejam destinados exclusivamente a novos investimentos na ferrovia.

A defesa da retomada do trecho até Suape ocorre em um momento de ampliação da infraestrutura portuária pernambucana. Durante a visita ao Estado, Alckmin participou da inauguração do novo terminal de contêineres da APM Terminals, empresa controlada pelo grupo dinamarquês Maersk.

Com investimento superior a R$ 2 bilhões, o terminal inicia operações com capacidade para movimentar cerca de 400 mil TEUs por ano — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés — e amplia em 55% a capacidade operacional do complexo portuário. O projeto prevê expansão futura para mais de 1,3 milhão de TEUs anuais.

“O terminal portuário é o primeiro do país e da América Latina 100% eletrificado, o que mostra preocupação com a questão ambiental”, afirmou o vice-presidente.

A conclusão da Transnordestina é considerada peça central para potencializar a movimentação de cargas nos portos nordestinos e consolidar uma nova rota logística para o escoamento da produção agrícola e mineral da região. O avanço das obras e a definição sobre o trecho de Pernambuco serão acompanhados de perto pelo governo federal, que trata a ferrovia como uma das principais apostas para ampliar a competitividade econômica do Nordeste.