Jailton dos Santos, 48 anos, é motorista profissional, casado, tem dois filhos, e ultimamente uma insônia com leves crises de dor de cabeça que tem a ver com o finalzinho do seguro desemprego de quatro meses a que todo o trabalhador tem direito.
Com ensino médio, esse natalense da gema simboliza bem o cliente do Sine – Sistema Nacional de Empregos – que só no Rio Grande do Norte mantem um cadastro de 700 mil nomes, construído ao longo de décadas e cuja atualização depende exclusivamente do usuário.

Ou seja, o cadastro tem de tudo: gente que voltou a ficar empregada, desempregada, empregada de novo; gente que mudou de estado; gente que se aposentou e gente que não vai mais precisar de emprego porque morreu. E tem o Jailton, cujo trabalho de transportar outros trabalhadores indo e vindo de usinas eólicas, acabou há três meses.
Como é um sistema nacional integrado, que por sua vez se cruza com a gigantesca base de dados do Governo Federal, a Subsecretaria do Trabalho e Coordenadoria do Trabalho e Renda-Sine-RN, ligada ao Ministério do Trabalho, não tem como estratificar as informações locais e informar quantos cadastros desses 700 mil estão ativos, até porque ele muda a todo momento.
O motorista Jailton dos Santos, habilitado para dirigir veículo pesado e moto, simboliza a clientela do Sine porque faz parte de um grupo cada dia mais seleto de gente que prefere ir pessoalmente a uma das bases do Sistema no RN (são quatro postos de atendimento em Natal e o restante em outros municípios) do que monitorar suas oportunidades de trabalho à distância.
O resultado é que salvo alguns momentos como a atípica movimentação de interessados por vagas como as oferecidas esta semana pela Guararapes, o Sine, com razoável frequência, não tem mais multidões se acotovelando em suas instalações em busca de colocação. Pelo menos estava bem calma na unidade matriz da Candelária, nesta quinta-feira, 26, por volta das 11 horas da manhã, três horas antes do fechamento.

“Eu poderia estar monitorando a vaga pelo celular, mas gosto de vir aqui para espairecer, sair um pouco de casa”, confessa Jailton, que aceitará qualquer trabalho regular como motorista que o Sine arrumar em qualquer ponto do Estado.
“Não tem problema ficar longe da família, quem trabalha em obra sabe que o serviço acaba e a gente sempre pode ver a família nos fins de semana”, diz, resignado.
De fato, já foi o tempo em que o Sine era invadido por trabalhadores na esperança de arrumar emprego.
“Essas coisas mudaram muito com a tecnologia”, explica Othon Militão Júnior, nomeado este ano para a Coordenadoria de Trabalho e Renda na Secretaria Estadual do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas).
“Há, na verdade, dois cadastros – o nosso e das empresas interessadas. O Sine é o intermediário que ajuda ambas as partes a encontrar o que precisa”, resume.
A palavra final sobre o recrutamento, por óbvio, será sempre da empresa; o trabalho do Sistema é certificar-se que o candidato possui em carteira a experiência requerida para ocupar a vaga. E um software já faz esse trabalho pesado em segundos, razão pela qual muita gente já entendeu que não precisa mais monitorar sua oportunidade numa das unidades físicas do Sine.
Othon, no entanto, diz que há muitos planos no forno da Sethas para dar suporte aos trabalhadores que por razões várias não conseguem acompanhar ou atualizar seus cadastros remotamente.
Enquanto isso não acontece, uma significativa parcela dos trabalhadores, como o motorista Jailton, continua frequentar o Sine de corpo e alma em busca de novidades.
Embora Othon Militão não saiba dizer a porcentagem de trabalhadores que monitora as oportunidades pelo aplicativo Sine Fácil em relação aos que frequentam diariamente as instalações físicas, a maioria esmagadora da clientela é formada por pessoas de nível escolar fundamental e médio, sendo que muitos têm dificuldade real de acessar os recursos do celular.
“Estamos examinando novas maneiras, além das existentes, de ajudar essas pessoas”, ele garante.
Só recentemente, a unidade em que ele dá expediente, no bairro da Candelária, onde funciona a matriz do Sine no RN, concluiu as reformas internas e passou a funcionar a todo o vapor.
Ali é decidido tudo em relação às demais unidades, mas quando as demandas partem de municípios onde o Sine não mantém uma base física, a ferramenta usada é o Sine Itinerante, implantado em julho de 2021, e que leva de uma maneira mais direta, embora temporária, os mesmos serviços prestados por uma estrutura normal.
Além disso, o trabalhador pode obter no Sine o seguro-desemprego, emissão de carteira de trabalho, além desse encaminhamento para qualificação profissional, o que agrega muito valor para os trabalhadores.
Um pequeno serviço. Para quem precisa concorrer a uma vaga de emprego, o candidato ou candidata deve se cadastrar via Internet no Portal Emprega Brasil do Ministério do Trabalho e Emprego, através do endereço empregabrasil.mte.gov.br ou nos aplicativos Sine Fácil e Carteira de Trabalho Digital, disponíveis para Android e IOS.
Depois desse cadastro feito, e que deve ser periodicamente atualizado, o Sine envia para a empresa os dados do candidato, que analisa e confirma se o quer no processo seletivo. Se aprovado, o próprio Sine convoca o interessado para uma entrevista ou outra etapa do processo seletivo até que a escolha seja feita.