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Todos no Rio

Shakira reforça discurso feminino

Cantora destacou identidade latina e discurso voltado ao empoderamento feminino durante show que reuniu 2 milhões de pessoas em Copacabana
Por O Correio de Hoje
04/05/2026 | 14:07

Com pouco mais de uma hora de atraso, o céu da praia de Copacabana foi ocupado por drones que desenharam a silhueta de uma loba em uivo, antecipando a entrada de Shakira, 49 anos, no palco na noite do último sábado 2. A apresentação marcou mais um capítulo da relação duradoura da artista com o público brasileiro.

O show atraiu uma multidão de 2 milhões de pessoas, pelos cálculos da Prefeitura do Rio de Janeiro. A artista foi a terceira atração do projeto Todo Mundo do Rio, que, em 2024 e 2025, promoveu os shows de Madonna e Lady Gaga, respectivamente, também com público semelhante.

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Shakira dividiu o palco com Anitta, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Ivete Sangalo no Rio Foto: Divulgação

Ao longo do espetáculo, a cantora adotou uma abordagem mais direta, com foco na performance e na interação. Descalça e com movimentos característicos, conduziu a apresentação em um palco de grandes proporções, apostando em coreografias e na proximidade com a plateia. A abertura oficial ocorreu após a execução de “Chantaje” nos bastidores, enquanto a artista realizava uma das trocas de figurino da noite, frequentemente com referências às cores do Brasil.

Recebida sob gritos do público, Shakira iniciou o show com músicas como “La Fuerte” e “Girl Like Me”, seguidas por “Las de la Intuición” e “Estoy Aquí”, uma das canções mais emblemáticas de sua trajetória. Em meio ao repertório, reforçou a conexão com o país. “Olá, Brasil! Como vocês estão, gente? Eu não posso acreditar que estou aqui com vocês”, disse, ao destacar sua relação com o público local. “Olha isso, olha isso”, afirmou, ao observar a dimensão da plateia.

Diferentemente de apresentações recentes de artistas como Lady Gaga e Madonna, que priorizaram interações mais estruturadas, a cantora colombiana adotou um tom mais espontâneo. “Não existe melhor coisa para mim do que quando uma lobinha como eu se encontra com sua alcateia brasileira. Hoje e sempre, somos um”, afirmou.

O repertório percorreu diferentes fases da carreira, incluindo momentos de maior carga emocional e outros voltados à dança. Em “Empire”, a artista retomou influências do rock, enquanto “Te Felicito” trouxe elementos cênicos ao incorporar um robô humanoide na apresentação. A música também dialoga com experiências pessoais recentes da cantora, incluindo o término do relacionamento com o ex-jogador Gerard Piqué.

Durante o show, Shakira também enfatizou mensagens relacionadas ao protagonismo feminino. “A vida tem formas de recompensar a gente. Vocês sabem que a minha vida não tem sido a mais fácil ultimamente, mas das quedas ninguém se salva. O que sei é que nós, as mulheres, cada vez que caímos, nos levantamos mais sábias, mais fortes, mais resilientes. Porque as mulheres já não choram. Por isso, esse show vai ser dedicado a nós”, afirmou.

A apresentação contou ainda com participações de artistas brasileiros. Anitta subiu ao palco para cantar “Choka Choka”. “Obrigada, linda, te amo”, disse Shakira, recebendo como resposta: “Isso é um presente, você merece tudo, você é maravilhosa”. Em outro momento, Caetano Veloso foi convidado para uma apresentação conjunta, seguida por participação de Maria Bethânia, com quem dividiu o palco em ritmo de samba, acompanhada pela bateria da Unidos da Tijuca.

A conexão com a música brasileira também incluiu Ivete Sangalo, com quem interpretou “País Tropical”. A participação foi definida como um momento festivo dentro do espetáculo, ampliando o diálogo com o público local. Entre os destaques do repertório, “Hips Don’t Lie” marcou um dos momentos de maior interação, com coreografias e resposta imediata da plateia. A sequência final incluiu “Whenever, Wherever”, “Waka Waka”, com participação de dançarinos do Complexo da Maré, e o encerramento com “She Wolf” e “Bzrp Music Sessions”.

Em tom de despedida, a artista reforçou a ligação com o país. “Obrigada, Brasil, por todo o carinho que recebi de vocês nos últimos 30 anos. Uma vida inteira”, afirmou. Ao final, completou: “Eu jamais vou esquecer essa noite. Obrigada, Brasil”. O espetáculo, com cerca de duas horas de duração, reuniu sucessos que consolidaram a carreira internacional da cantora, além de momentos de experimentação e aproximação com a cultura local.

A apresentação reforça o papel do Brasil como um dos principais mercados para a artista e evidencia a capacidade de mobilização de grandes eventos musicais em espaços públicos.

“Mesmo que o dia tenha sido difícil para muitos de nós, fomos celebrar a vida do jeito que ela é, com seus acertos e imperfeições. A beleza de Copacabana nos faz lembrar o que realmente importa é estar presente, valorizar o que está diante dos nossos olhos. Contemplar o mar, a praia, a montanha, sentir o sol na pele, a brisa. Porque é disso que somos feitos. E essa foi a mensagem de ontem à noite, que a América Latina, deu ao mundo: é simples ser feliz. E o Rio nos lembra disso como nenhum outro lugar no mundo”, escreveu a cantora no Instagram.