BUSCAR
BUSCAR
Economia

IA detalha desigualdade no Brasil

Para Lisiane Lemos, tecnologia pode incluir ou excluir no mercado de trabalho, a depender do uso e da qualidade dos dados
Por O Correio de Hoje
04/05/2026 | 14:54

A expansão da inteligência artificial (IA) no Brasil evidencia um cenário de avanços tecnológicos coexistindo com limitações estruturais, como desigualdade de acesso e déficit de qualificação. A avaliação é de Lisiane Lemos, secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, que aponta a dualidade da tecnologia: ao mesmo tempo em que amplia oportunidades, pode reforçar exclusões caso não considere contextos sociais e vieses históricos .

Segundo a secretária, a IA tem potencial de ampliar a presença de grupos sub-representados no mercado de trabalho, mas decisões automatizadas baseadas apenas em dados históricos tendem a reproduzir desigualdades. “Quando levamos as bases de dados para a inteligência artificial, temos de estar atentos aos ajustes e interpretações”, afirma. Ela observa que trajetórias fora do padrão estatístico, como a sua — mulher, negra e em posição de liderança na área —, tendem a não ser contempladas por modelos puramente preditivos .

capa portal
Lisiane Lemos é autora da avaliação Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Brasil apresenta desempenho relevante em pesquisa e desenvolvimento, com centros tecnológicos e iniciativas avançadas em conectividade e inovação. Ainda assim, enfrenta desafios estruturais que limitam a difusão da tecnologia, como analfabetismo digital e falta de acesso à internet em parcelas da população .

Lisiane destaca que o país reúne características de diferentes realidades: regiões altamente conectadas e polos de inovação convivem com áreas sem infraestrutura básica. Nesse contexto, políticas públicas e investimentos em conectividade, energia e transporte são apontados como pré-condições para a expansão de soluções baseadas em IA.

A secretária defende que o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho dependerá da forma como trabalhadores e instituições se adaptarem. Para ela, a tecnologia tende a ampliar produtividade e acesso ao conhecimento, mas exige qualificação contínua da força de trabalho e compreensão sobre o funcionamento das ferramentas.

Programas de inclusão digital, especialmente voltados a públicos como idosos e populações vulneráveis, são considerados estratégicos. A falta de capacitação técnica e de incentivos ao uso da tecnologia pode aprofundar a exclusão digital, sobretudo entre grupos que já enfrentam barreiras de acesso .

A diversidade nas equipes de desenvolvimento também é apontada como fator central para mitigar vieses em sistemas de IA. A ausência de representatividade, segundo Lisiane, compromete a criação de soluções adequadas a diferentes perfis de usuários.

À frente de uma estrutura que atende cerca de 11 milhões de habitantes, a secretária afirma que o setor público tem papel relevante na formulação de políticas e na regulação do uso da tecnologia. A atuação envolve desde programas de formação de profissionais até iniciativas de inclusão digital e reconstrução de infraestrutura, especialmente após eventos climáticos extremos no Estado .

Lisiane também ressalta a necessidade de atualização técnica por parte de gestores e legisladores para lidar com o avanço da IA e seus impactos. Parcerias com empresas e programas de capacitação gratuita têm sido adotados como estratégia para ampliar o acesso ao conhecimento e acelerar a adoção de novas tecnologias.

A executiva será uma das participantes do São Paulo Innovation Week, evento que reunirá especialistas nacionais e internacionais entre os dias 13 e 15 de maio, com foco em inovação, empreendedorismo e transformação digital.