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Crime

Suspeitos atraíram crianças com pipa antes de estupro coletivo

Crime envolveu cinco pessoas e imagens foram usadas na investigação
Por O Correio de Hoje
04/05/2026 | 15:55

A Polícia Civil de São Paulo prendeu um homem de 21 anos suspeito de participação em um estupro coletivo contra duas meninas, de 7 e 10 anos, ocorrido na Zona Leste da capital paulista. Identificado como Alesandro Martins dos Santos, ele foi localizado no município de Brejões, no interior da Bahia, a cerca de 277 quilômetros de Salvador, após ter fugido do estado.

De acordo com as investigações, cinco pessoas foram identificadas como envolvidas no crime — quatro adolescentes e o adulto detido. Com exceção de um dos menores, que segue foragido, os demais já foram apreendidos. O suspeito preso foi encaminhado para Jequié, também na Bahia, e deve ser transferido para São Paulo, onde será formalmente indiciado.

estupro coletivo
Polícia prendeu na Bahia um homem suspeito de participação em estupro Foto: Reprodução

Segundo a polícia, Santos confessou participação no crime durante depoimento prestado à 1ª Delegacia Territorial de Jequié. Ele relatou que estava acompanhado dos adolescentes no momento da violência e afirmou que um deles teria registrado a ação em vídeo. A autoria da gravação, no entanto, ainda é objeto de apuração.

O caso ocorreu no dia 21 de abril, mas só chegou ao conhecimento das autoridades três dias depois, quando a irmã de uma das vítimas recebeu imagens do crime e procurou a polícia. As gravações, que circularam em redes sociais, foram fundamentais para a identificação dos suspeitos, mas também configuram um novo crime por violação da intimidade das crianças.

Durante depoimento, o suspeito afirmou que decidiu fugir após a repercussão do caso, alegando ter sido “jurado de morte” por integrantes de uma organização criminosa. A localização dele foi possível após familiares informarem à polícia o paradeiro no interior baiano.

A prisão temporária foi decretada por até 30 dias, podendo ser prorrogada, com base na gravidade dos fatos e na tentativa de fuga. Além da acusação de estupro de vulnerável, Santos deve responder também por corrupção de menores e pela exposição das vítimas em imagens divulgadas na internet.

Delegados do 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí, informaram que todos os envolvidos responderão por estupro de vulnerável, tipificação aplicada em casos envolvendo menores de idade. A polícia também investiga a participação de outras pessoas na disseminação dos vídeos.

“A prioridade era a identificação dos abusadores, sua apreensão e prisão”, afirmou a delegada Janaína Dziadowczyk. “Em um segundo momento, investigaremos todos aqueles que divulgaram essas imagens.”

As autoridades reforçaram o alerta para que a população não compartilhe conteúdos relacionados ao caso. “Temos tentado contactar essas pessoas, inclusive influenciadores, para que não divulguem as imagens de um modo que possa prejudicar a imagem dessas crianças, para sempre marcadas com esse acontecimento”, disse o delegado Júlio Geraldo. Ele destacou que qualquer informação deve ser repassada à polícia, evitando a exposição das vítimas.

Segundo os investigadores, as meninas conheciam os suspeitos, que eram vizinhos na região do Jardim Pantanal. De acordo com a polícia, elas foram atraídas ao local do crime sob o pretexto de empinar pipa. Um dos adolescentes detidos afirmou que o episódio começou como uma “brincadeira” que evoluiu para a violência, além de indicar que o adulto teria iniciado as ações e incentivado a gravação.

As famílias das vítimas também enfrentaram dificuldades após o crime. De acordo com a polícia, houve pressão para que não registrassem ocorrência, e alguns familiares deixaram suas residências por medo. As crianças foram localizadas, ouvidas pelas autoridades e submetidas a exames periciais.

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que a gravidade das imagens impactou até mesmo profissionais experientes. “Em 45 anos de polícia, não consegui (pela primeira vez) ver o vídeo até o fim, cena terrível, inesquecível, vai ficar no meu subconsciente por muito tempo”, declarou.

A investigação segue em andamento, com foco na localização do suspeito foragido e na responsabilização de todos os envolvidos, incluindo aqueles que compartilharam as imagens do crime.