O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta quarta-feira 6, para os Estados Unidos, onde se reunirá com o presidente Donald Trump na quinta-feira 7, na Casa Branca, em Washington. A visita ocorre após adiamento motivado por tensões internacionais e marca o terceiro encontro presencial entre os dois líderes desde o início do segundo mandato do republicano.
A agenda bilateral acontece em um momento de pressão política interna para o governo brasileiro, após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). No Palácio do Planalto, a expectativa é de que o encontro reforce a interlocução internacional de Lula em meio ao cenário doméstico adverso.

Entre os principais pontos da reunião estão as tensões comerciais entre os dois países. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros proposta pelo governo Trump. Ainda assim, autoridades americanas mantêm investigações sobre possíveis práticas comerciais consideradas desleais envolvendo o Brasil e a China.
O tema segue no radar da política externa brasileira, diante do risco de novas medidas tarifárias. A pauta econômica deve ser central no encontro, considerando o impacto potencial sobre exportações e a balança comercial.
Outro assunto relevante será a possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas. O tema gera preocupação no governo brasileiro, que avalia possíveis implicações sobre a soberania nacional.
Nesse contexto, Lula deve defender o fortalecimento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado, com foco em lavagem de dinheiro, tráfico de armas e intercâmbio de informações financeiras entre os países.
A agenda também inclui discussões sobre a guerra envolvendo o Irã e a atuação dos Estados Unidos no conflito, tema que já gerou críticas públicas do presidente brasileiro. A situação da Venezuela também deve ser abordada, especialmente após a prisão de Nicolás Maduro por forças americanas e a posse de Delcy Rodríguez, com apoio de Washington.
Lula tem se posicionado contra intervenções militares externas na região e deve levar ao encontro a defesa de soluções diplomáticas para crises políticas na América do Sul.
Antes da reunião em Washington, Lula e Trump já haviam se encontrado em diferentes ocasiões. Em setembro, tiveram um contato breve nos bastidores da Assembleia Geral da ONU. Em outubro, voltaram a se reunir na Malásia, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
A viagem aos Estados Unidos está prevista para terminar na sexta-feira, consolidando mais um capítulo na relação entre os dois países em um cenário de desafios econômicos, políticos e geopolíticos.