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Aper quer melhoria da rede no RN

Energia solar avança no Brasil, mas enfrenta limitações técnicas na rede de distribuição
Por O Correio de Hoje
04/05/2026 | 15:15

O avanço da geração distribuída de energia solar no Brasil tem gerado interpretações equivocadas sobre um suposto “limite” para expansão em determinados Estados. De acordo com a Associação Potiguar de Energias Renováveis (Aper), o fenômeno observado em algumas regiões está relacionado, na prática, a restrições técnicas localizadas na rede de distribuição, e não a um esgotamento da capacidade em nível estadual.

Segundo o presidente da Aper, Williman Oliveira, a limitação ocorre em pontos específicos da infraestrutura elétrica, como alimentadores e subestações que passam a operar próximos da saturação. “O que existe são restrições pontuais em trechos da rede, que não acompanham, no mesmo ritmo, o crescimento da geração distribuída”, afirma.

Williman Oliveira
Williman Oliveira diz que RN pode ser hegemônico em energia solar Foto: Reprodução/Assessoria

Esse cenário já foi identificado em estados como Acre, Rondônia e Mato Grosso, onde a expansão acelerada da energia solar ocorre sobre redes historicamente menos robustas. Nesses casos, a infraestrutura, originalmente projetada para um fluxo unidirecional — das usinas para os consumidores —, passa a lidar com o fluxo reverso de energia gerada pelos próprios consumidores.

Esse novo padrão pode provocar sobrecarga, instabilidade e variações de tensão. “A questão não está apenas na falta de armazenamento, mas principalmente na necessidade de modernização da infraestrutura elétrica para lidar com essa nova dinâmica”, explica Oliveira.

No Rio Grande do Norte, a avaliação da Aper é de que o ambiente segue favorável à expansão da energia solar. O estado conta com histórico consolidado na geração de energias renováveis, sobretudo eólica e solar, além de integração ao Sistema Interligado Nacional e uma rede considerada mais estruturada em comparação a estados da região amazônica.

Ainda assim, já existem pontos de atenção em áreas específicas. “O limite não é estadual, mas elétrico e regionalizado, podendo surgir em circuitos mais carregados ou regiões com maior concentração de sistemas solares”, diz o presidente da entidade.

A evolução desse cenário dependerá, segundo a Aper, de três fatores centrais: o ritmo de crescimento da geração distribuída, o volume de investimentos das distribuidoras na rede e o avanço da regulação do setor elétrico. A estimativa do mercado é de que os problemas pontuais já estejam presentes em algumas regiões do país e que desafios mais amplos possam surgir no médio prazo, entre três e oito anos.

Para evitar gargalos, a entidade defende um conjunto de medidas estruturais, como reforço da rede elétrica, construção de novas subestações e digitalização dos sistemas por meio de redes inteligentes. Também são apontadas como alternativas a adoção de armazenamento por baterias, usinas híbridas e mecanismos mais eficientes de gestão da geração distribuída.

“Esse crescimento exige planejamento, investimentos e modernização da rede elétrica. O cenário segue positivo, mas precisa ser acompanhado de ações estruturais para garantir sustentabilidade no longo prazo”, afirma Oliveira.

A avaliação é de que o avanço da energia solar no país representa uma mudança estrutural no setor elétrico, que demanda adaptação tecnológica e regulatória para assegurar a continuidade da expansão de forma equilibrada.