A escalada de tensões no Estreito de Ormuz ganhou novos contornos nesta semana, após relatos de ataques a embarcações comerciais e trocas de acusações entre Estados Unidos e Irã. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Washington mantém “controle absoluto” da hidrovia e trabalha para reabrir o tráfego, destacando que forças americanas estariam reagindo apenas a ataques.
Apesar da declaração, episódios recentes indicam instabilidade crescente na principal rota de transporte de petróleo do mundo. Ao menos dois países relataram incidentes envolvendo embarcações na região, elevando preocupações sobre a segurança marítima e o impacto no comércio global de energia.

A Coreia do Sul informou que um navio com sua bandeira foi atingido enquanto permanecia parado no estreito devido aos bloqueios. A embarcação pegou fogo, e havia 24 pessoas a bordo, incluindo seis sul-coreanos. As causas da explosão ainda estão sob investigação, e o governo sul-coreano afirmou que acompanha o caso e presta assistência aos envolvidos.
Já os Emirados Árabes Unidos condenaram um ataque com drones contra uma embarcação afiliada, classificando a ação como ato de pirataria atribuído à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Segundo autoridades emiradenses, o navio foi atingido por dois drones enquanto transitava pela região, em violação à liberdade de navegação e a resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Do lado iraniano, autoridades afirmaram ter impedido a entrada de navios de guerra americanos no estreito por meio de advertências. Segundo agências estatais, forças iranianas teriam disparado tiros de aviso contra embarcações militares dos EUA e até atingido um navio próximo à ilha de Jask, versão negada por Washington.
O Comando Central dos Estados Unidos declarou que nenhuma embarcação americana foi atingida e que suas forças atuam na região para garantir a segurança da navegação, incluindo apoio a operações de escolta e bloqueio naval a portos iranianos.
A Guarda Revolucionária iraniana intensificou os alertas, afirmando que qualquer embarcação que viole regras estabelecidas será interceptada com uso da força. Autoridades militares do país também advertiram que forças estrangeiras, especialmente americanas, poderão ser alvo de ataques caso tentem operar na área sem coordenação.
O major-general Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, afirmou que o Irã manterá o controle da segurança no estreito e alertou empresas de navegação e seguradoras sobre os riscos de transitar sem autorização. Segundo ele, ações militares externas podem agravar a situação e colocar em risco embarcações comerciais.
Responsável por uma parcela significativa do transporte global de petróleo, o Estreito de Ormuz é considerado um dos principais pontos de estrangulamento do comércio internacional de energia. A intensificação de incidentes na região amplia o risco de interrupções logísticas e volatilidade nos mercados, em um cenário já marcado por tensões geopolíticas.
A evolução do quadro dependerá da capacidade de contenção dos conflitos e da manutenção de canais diplomáticos entre os países envolvidos, diante do potencial impacto econômico global.