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Aborto

Suprema Corte dos EUA libera pílula do aborto

Decisão temporária reacende debate sobre regras federais e autonomia dos estados
Por O Correio de Hoje
04/05/2026 | 15:36

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta segunda-feira 4, restabelecer a distribuição da pílula abortiva mifepristona, revertendo uma decisão de tribunal de apelações que havia suspendido o acesso ao medicamento na última sexta-feira 1º. Com a medida, volta a ser permitido que mulheres obtenham o medicamento em farmácias ou por meio de envio postal, sem a necessidade de consulta presencial.

A decisão tem caráter temporário e permanecerá em vigor por pelo menos uma semana, período em que o tribunal analisará com mais profundidade os argumentos apresentados pelas partes envolvidas no processo.

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A decisão tem caráter temporário e permanecerá em vigor por pelo menos uma semana Foto: Reprodução

A mifepristona é um dos principais métodos utilizados para interrupção da gravidez nos Estados Unidos, geralmente administrada em combinação com o misoprostol. A maioria dos abortos no país ocorre por meio desse protocolo medicamentoso.

O acesso ao medicamento vinha sendo ampliado desde 2020 e foi consolidado por regulamentação da Food and Drug Administration (FDA) em 2023, que eliminou a exigência de retirada presencial em clínicas ou hospitais, permitindo a distribuição por correio.

A suspensão determinada por um tribunal de apelações reacendeu o debate sobre o alcance das regras federais, levando fabricantes do medicamento a ingressarem com recursos de emergência para garantir a continuidade da distribuição.

O caso ocorre em um cenário de mudanças no arcabouço jurídico do aborto nos Estados Unidos. Em 2022, a Suprema Corte revogou o direito federal ao aborto, transferindo aos estados a prerrogativa de legislar sobre o tema.

Desde então, a legislação passou a variar significativamente entre as unidades federativas. Estados governados por democratas tendem a manter o acesso ao procedimento, enquanto estados sob gestão republicana adotaram restrições mais rígidas, incluindo tentativas de limitar o uso de medicamentos abortivos.

Entre os questionamentos à distribuição da mifepristona está uma ação movida pelo estado da Louisiana, que busca restringir o acesso ao medicamento. A decisão da Suprema Corte, ao restabelecer temporariamente a distribuição, mantém o status quo enquanto o mérito do caso é analisado.

O desfecho do julgamento poderá definir o alcance das regulações federais sobre medicamentos abortivos e influenciar o equilíbrio entre políticas estaduais e diretrizes nacionais sobre o tema, em um dos debates mais sensíveis do sistema jurídico americano.