As varizes atingem cerca de 30% da população mundial e podem afetar homens e mulheres, segundo a cirurgiã vascular Nara Medeiros. A especialista explicou que a condição é frequentemente confundida com “vazinhos”, mas se trata da mesma doença em diferentes graus.
Segundo ela, a classificação médica vai do estágio inicial, com vasos finos e sem sintomas, até quadros mais avançados. A médica explicou que a principal causa é genética, mas o envelhecimento é o fator mais frequente. “Uma das principais causas, na verdade, é a genética. Mas a causa mais frequente é envelhecer. As varizes são veias que perderam colágeno.” Segundo ela, a perda de colágeno também ocorre na pele e compromete a estrutura das veias.

A condição pode surgir ainda na juventude. “Algumas pessoas, pela genética, têm mais cedo. Pode aparecer até adolescência”, disse. Fatores como uso de hormônios, excesso de peso e sedentarismo podem antecipar o surgimento.
A rotina também influencia o desenvolvimento da doença. “Ficar em pé muitas horas ao dia ou ficar muito tempo sentado, isso dá variação. […] Porque dificulta essa circulação sanguínea”, afirmou. A médica comparou o sistema venoso a um conjunto de “canos” que precisam levar o sangue de volta ao coração, sendo impactados pela gravidade.
Sobre hábitos cotidianos, a especialista afirmou que o uso de salto alto não está diretamente relacionado ao problema. “Salto não faz mal pra circulação, faz mal pra saúde dos pés”, disse. Segundo ela, modelos como o salto anabela podem até favorecer a circulação. “A gente tem dois corações na perna. A panturrilha e o pé.”
A prática de atividade física é recomendada. “O que faz mal é não fazer atividade física”, afirmou. Apesar de atividades de alto impacto poderem influenciar, ela orienta manter exercícios regulares. “Fazer atividade física é muito importante, e não só pras varizes, mas isso diminui o risco de doenças mais severas.”
Entre os sintomas estão dor, cansaço, inchaço e veias aparentes. Em casos mais avançados, podem ocorrer complicações. “Varizes podem evoluir até para ferimento, para veias que inflamam, que dão tromboflebite”, explicou. Segundo a médica, o diagnóstico deve ser feito por avaliação clínica e exames como o ecodoppler.
A especialista alertou que a doença pode ser silenciosa. “A doença vascular é silenciosa, então quando ela vem dar algum problema mais grave muitas vezes já está mais avançada”, afirmou. A gestação também está entre os fatores de risco. “Quanto mais gestações, mais varizes vão ter”, disse. Histórico familiar aumenta a probabilidade. A médica orienta procurar atendimento ao notar sinais como veias dilatadas, dor ou alteração na cor da pele.
Sobre tratamento, a médica destacou avanços tecnológicos. “Hoje não precisa ter medo de tratar varizes. Trata sem cortes, com laser.” Ela também citou procedimentos minimamente invasivos. “Mesmo quando precisa cortar, a gente chama de miniflebectomia, que são pequenas incisões.”