A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) abriu uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte da gestante Jaine, de 25 anos, ocorrida após complicações durante uma cesariana no Hospital Regional Santa Catarina, na Zona Norte de Natal. A família acusa a equipe médica de administrar uma medicação incorreta durante o atendimento, o que teria provocado o agravamento do quadro clínico da paciente. O bebê sobreviveu e permanece sem complicações, segundo a secretaria.
Em entrevista, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, afirmou que a Sesap recebeu a confirmação da morte da paciente pela direção da unidade hospitalar e que as informações disponíveis até o momento ainda são preliminares. Segundo ele, a apuração inicial indica que a gestante foi medicada por um profissional especialista há cerca de uma semana ou dez dias, situação que teria provocado complicações que levaram à internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde ela morreu.

“A gente abriu a sindicância para apurar de forma plena a situação, é que a paciente teria sido medicada por um profissional da área, um profissional especialista, há coisa de uma semana, dez dias aproximadamente, é que isso teria causado transtornos. Ela estava grávida, o bebê conseguiu estar bem, o bebê está salvo, não acometeu nada, mas a paciente teve que ir para a UTI e veio a falecer hoje”, declarou o secretário.
Alexandre Motta informou que a sindicância buscará esclarecer toda a sequência do atendimento e identificar eventuais responsabilidades. “A gente vai se inteirar de fato do que aconteceu para poder, tendo a sindicância nas mãos, apurar as responsabilidades. Obviamente que depois vamos encaminhar isso para os conselhos de identidade”, afirmou.
O secretário também confirmou que o profissional envolvido no atendimento é terceirizado e atua como anestesiologista. Segundo ele, a Sesap solicitará à empresa responsável pelo contrato que o médico permaneça afastado das atividades no Hospital Santa Catarina enquanto durar a investigação.
“Pela informação, ele é um profissional terceirizado, seria um profissional anestesiologista. Como estou dizendo, as informações são preliminares. A gente vai identificar de fato o que aconteceu e, obviamente, como é um profissional terceirizado, vai pedir à empresa responsável pelo seu contrato que o mantenha, pelo menos enquanto a sindicância estiver em curso, sem exercer o trabalho naquela localidade”, disse.
O caso veio à tona após familiares denunciarem que Jaine teria recebido adrenalina no lugar de uma medicação destinada ao controle de náuseas e dores. A gestante foi internada em estado grave após o atendimento e permaneceu na UTI até a confirmação da morte. A família cobra esclarecimentos e responsabilização dos envolvidos.
Cesáreas representam quase 70% dos partos no RN
Dados da Sesap mostram que o Rio Grande do Norte registrou predominância expressiva de cesarianas nos últimos anos.
Em 2025, foram realizados 36.712 partos no estado, sendo 25.519 cesáreas (69,5%) e 11.193 partos vaginais (30,5%). A diferença foi de 14.326 procedimentos cirúrgicos a mais do que partos naturais.
Em 2024, o cenário foi semelhante: 37.138 partos, dos quais 25.837 foram cesarianas (69,6%) e 11.301 vaginais (30,4%).
Já em 2026, até 29 de abril, o RN contabilizou 9.260 partos, sendo 6.688 cesáreas (72,2%) e 2.572 vaginais (27,8%). Isso representa 4.116 cesarianas a mais que partos normais apenas nos quatro primeiros meses do ano.
No cenário nacional, dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária indicam que as cesarianas representaram 67% dos nascimentos em 2025. O percentual segue muito acima da recomendação da Organização Mundial da Saúde, que orienta taxas entre 10% e 15%.
No Rio Grande do Norte foram realizados os seguintes quantitativos de partos:
2024
- 11.301 partos vaginais
- 25.837 cesáreas
2025
- 11.193 partos vaginais
- 25.519 cesáreas
2026 (até 29/04/2026)
- 2.572 partos vaginais
- 6.688 cesáreas
*Os números incluem maternidades públicas e privadas, e são da SIMDINAC/SUVIGE/SESAPRN