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Literatura

Socorro Acioli lança coletânea sobre amor

Escritora cearense apresenta "Amar É Inadiável", obra que reúne textos sobre afeto, literatura e processo criativo
Por O Correio de Hoje
22/07/2026 | 13:58

A escritora cearense Socorro Acioli lança Amar É Inadiável, coletânea de crônicas que reúne textos publicados entre 2015 e 2022 nos jornais O Povo e Diário do Nordeste. A obra será apresentada durante a programação da Flip, em Paraty, em conversa com o editor Walter Porto, na sexta-feira (24).

Conhecida pelos romances A Cabeça do Santo e Oração para Desaparecer, Acioli coloca o afeto como eixo central da nova publicação. Para ela, o amor não se restringe aos relacionamentos amorosos, mas também se manifesta nos vínculos entre amigos, familiares e até desconhecidos.

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Acioli lança Amar É Inadiável, coletânea de crônicas sobre afeto, literatura e criatividade - Foto: Divulgação

“É impossível não ter amor. Eu nem acredito que exista uma escrita sem amor.”

Segundo a autora, a literatura funciona como uma investigação permanente sobre os diferentes modos de amar, inclusive diante da ausência de afeto. Filha de uma mulher diagnosticada com esquizofrenia, ela afirma que essa experiência marcou sua infância e atravessa sua produção literária.

“O trabalho com a literatura é sempre uma busca por respostas. Eu quero saber quais são os limites das possibilidades de amar, e os de amar na impossibilidade.”

A coletânea também oferece ao leitor um panorama do processo criativo da escritora. Nas crônicas, que ela define como textos que “flertam com o conto”, aparecem reflexões sobre leitura, escrita, narradores e personagens, além de referências à construção de seus romances mais conhecidos.

Com cerca de 500 mil exemplares vendidos de suas obras de ficção, publicadas pela Companhia das Letras, Acioli explica que escolheu lançar a coletânea pela Editora Planeta para ampliar o alcance de sua produção em outro segmento editorial.

Em um dos textos do livro, a autora escreve que produzir um livro significa “entregar um bom pedaço da própria vida a um devaneio”. Para ela, esse devaneio é tanto o impulso inicial da escrita quanto aquilo que permanece depois que a obra é concluída.

O processo criativo, segundo Acioli, começa pela pesquisa. Antes de construir a ficção, ela mergulha no universo que pretende retratar.

“Começo como jornalista e termino como uma utópica.”

Foi assim durante a preparação de Oração para Desaparecer, quando visitou diversas vezes a comunidade Tremembé de Almofala, conversou com pesquisadores, aprendeu técnicas tradicionais de bordado e participou de experiências ligadas à cultura indígena. A autora afirma que esse envolvimento busca construir personagens de forma respeitosa e fundamentada.

Apesar do crescimento da autoficção no mercado editorial, Acioli segue outro caminho. Ela prefere transformar a realidade por meio da imaginação em vez de tomar a própria vida como matéria-prima.

“Autoficção é para quem acha a própria vida interessante. No meu caso, é meu trabalho que acho interessante.”

A escritora também destaca que o contato com os leitores passou a fazer parte do exercício da profissão. Para ela, escrever pressupõe diálogo com quem lê.

“Eu escrevo para quem me lê, porque se eu escrevesse para mim, não escreveria.”

Enquanto lança Amar É Inadiável, Acioli já dedica a maior parte do tempo ao próximo romance, provisoriamente intitulado Delírio San Pedro. A história parte do fechamento de hospitais psiquiátricos e também incorpora a memória de um antigo hotel demolido em Fortaleza.

Além da literatura, dois de seus romances estão em processo de adaptação para o cinema. A Cabeça do Santo ganhará direção de Joana Mariani, enquanto Oração para Desaparecer terá Alice Carvalho no elenco. A autora acompanha os projetos à distância e diz preferir não interferir nas produções para evitar revelar detalhes das histórias antes da estreia.