Para o secretário de Recursos Hídricos do Rio Grande do Norte, Mairton França, não há qualquer dúvida: as águas do rio São Francisco chegaram ao Estado ainda no primeiro mandato do governador Robinson Faria (PSD), mas precisamente em 2017. É o que ele garante nesta entrevista ao Visor Político.
De acordo com o secretário, em que pesem existirem pendências de obras de canais, a serem conduzidas pelo governo do Estado, tudo ficará pronto a tempo. “Não existe pendências. O estado já começa a se preparar”, afirma.

Diante de um quadro de seca que se alastra há quatro anos, só resta esperar que o secretário tenha razão. A seguir sua entrevista.
Visor Político – Qual o atual quadro da obra do São Francisco?
Mairton França – A obra da transposição está sendo executada pelo governo federal, através do Ministério da Integração.
VP – Quando a obra deve ter resultados para o RN?
MF – A partir de 2017 quando o rio Piranhas-Açu for perenizado pelo eixo norte, através do estado da Paraíba. Aqui no RN as águas vão chegar primeiro pelo município de Jardim de Piranhas, pela bacia do rio Piranhas-açu. A outra porta de entrada é a bacia do rio Apodi-Mossoró, pela cidade de Major Sales. O Ministério da Integração vai construir em Major Sales uma obra chamada de Canal do Apodi para receber as águas do São Francisco e assim essa água vai perenizar o açude de Pau dos Ferros e todo rio Apodi-Mossoró, até a barragem de Apodi.
VP – Quais as pendências do RN em relação a obra?
MF – Não existe pendências. O estado já começa a preparar algumas obras para receber as águas do São Francisco, entre estas a Barragem de Oiticica que será ponto de captação para o sistema adutor do Seridó que trará segurança hídrica para essa região. Também já está concebido um projeto para um canal de integração entre todas as bacias do estado, o canal Assu-Maxaranguape. Ele terá 245 km de extensão e terá uma ligação da Barragem de Assu até Maxaranguape, possibilitando a chegada das águas da transposição ao lugar de maior aglomerado que é a região metropolitana. Além disso como trata-se de transposição de água bruta, todos os usos serão viabilizados, inclusive na região do Mato Grande, para fomentar a política de incentivo à produção.
VP – Qual a opinião do secretário de iniciativas como a do deputado Ezequiel, presidente da AL, em relação a cobrar por agilidade da transposição?
MF – Sou a favor dessa agilidade principalmente pelo momento em que vivemos, uma estiagem que já entra no quarto ano e com previsão de chuvas abaixo da média para 2016. É necessário que a bancada federal daqui do Estado se articule com a bancada federal dos estados do CE, PB e PE (pois juntas terão um poder de barganha maior, junto ao governo federal) e solicitem recursos extraordinários para que a obra seja antecipada.