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Desenvolvimento
São Gonçalo monta polo empresarial para aproveitar potencial do aeroporto
Área perto do terminal está recebendo infraestrutura para atrair empresas. Já há conversas em andamento para a instalação de empresas do setor industrial e na área de massas
Marcelo Hollanda
18/02/2021 | 00:37

Especialmente em meio à crise econômica, como a vivida pelo Rio Grande do Norte desde 2015 e coroada no ano passado com uma crise sanitária de proporções épicas, nomes experientes fazem toda a diferença. É o caso de Vagner Araújo, que assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo do Amarante em março de 2019, quando o que já parecia desafiador piorou consideravelmente como o novo coronavírus que assolou o planeta em 2020.

Ex-coordenador do plano de investimentos do Banco Mundial no Estado, Vagner, o nome escolhido pelo prefeito de São Gonçalo do Amarante, Paulo Emídio, o Paulinho, caiu feito uma luva para substituir Fernando Fernandes, convidado na ocasião para compor a gestão de Álvaro Dias em Natal.

Credenciais sobram a Vagner. Secretário de Estado pela primeira vez aos 25 anos, em 1994, na Secretaria Estadual de Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sethas), do governo Vivaldo Costa, e secretário de Planejamento e Chefe da Casa Civil do governo Wilma de Faria (2003-2010), passou também pela gestão Robinson Faria colecionando elogios.

Junte-se a isso uma chefia no Ministério de Minas e Energias no Rio Grande do Norte e o cargo de prefeito eleito de Lucrécia por dois mandatos, Vagner encara agora, junto com o prefeito Paulinho, o novo desafio de preparar São Gonçalo do Amarante para a pós-pandemia, tendo desde sempre como trunfo valioso o aeroporto internacional dos mais bem avaliados do país.
Nesta entrevista ao Agora RN, Vagner Araújo fala desse desafio com o pragmatismo habitual, mas com muito otimismo no futuro.

AGORA RN – Há uma grande aposta em um polo empresarial em São Gonçalo no entorno do aeroporto internacional. Como caminha essa proposta?

VAGNER ARAÚJO – Esse projeto vem desde a gestão de Jaime Calado na prefeitura de São Gonçalo do Amarante (Jaime é atual secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado), com a iniciativa de adquirir uma área no entorno do aeroporto para se criar ali um polo empresarial. Construir uma infraestrutura e colocar à disposição de empresas interessadas, inclusive, como um atrativo para a atração desses novos negócios.

O atual prefeito, Paulo Emídio, deu continuidade e neste momento realiza a terraplenagem, preparação da parte de saneamento, incluindo uma adutora para abastecimento de água. Dentro desse contexto, temos a Estrada da Produção, ligado ao projeto Cidadão do Banco Mundial, com 23 Km de extensão, que está sendo construída justamente para dar acesso a esse polo.

AGORA RN – Qual é o passo seguinte dentro das prioridades desse projeto?

VA: Estamos discutindo na atual gestão a possível implantação de um recinto aduaneiro, já debatida por ocasião da ZPE (Zona de processamento de Exportação) para São Gonçalo, que não deu certo.

AGORA RN – Afinal, por que não deu certo?

VA: Chegou-se à conclusão que seria de difícil implantação – tanto é verdade que, de todas as ZPEs propostas no Brasil, apenas a de Pecém, no Ceará, tornou-se realidade. Em Macaíba mesmo há uma ZPE autorizada que nunca decolou. De sorte que fomos desaconselhados a seguir em frente com isso pelo governo federal por não ser nem simples, nem fácil e também por não ser a única solução aplicável. Ao invés disso, optamos por instalar um recinto aduaneiro especial (também chamado de Redex), com praticamente os mesmos benefícios de uma ZPE, só que com um processo mais simples de implantação e operação.

AGORA RN – Mesmo depois de tantos anos de crise e frustração, o senhor ainda acredita no polo empresarial alavancado pelo aeroporto?

VA: Completamente. Na verdade, toda essa questão do polo empresarial faz parte da expectativa que se criou com a vinda do aeroporto e o que iria acontecer em matéria de desenvolvimento econômico no entorno. Verdade, um projeto atrapalhado pela recessão econômica em que o País mergulhou desde 2015, ano seguinte da inauguração do terminal. Mas, na nossa avaliação, apenas atrasou o processo – não o inviabilizou. Imaginamos que isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde, de forma lenta, porém irreversível.

Vagner Araújo Sethas 6
Secretário de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo do Amarante, Vagner Araújo – Foto: José Aldenir / Agora RN / Arquivo

AGORA RN – Que tipo de empresa o senhor vê se instalando nos 50 hectares do polo?

VA: Estamos abertos a qualquer tipo de empresa. Não há restrição quanto a isso. Mas as empresas a se instalarem serão definidas pelo comportamento do mercado. Já temos hoje conversas abertas empresas do setor industrial, na área de massas e que nos pedem confidencialidade. Tem também empresas de perfuração de poços e exploração petrolífera e de treinamento para essa mão de obra especializada. Temos tratativas abertas com empresas na área de logística, inclusive para atender o porto de Natal, já que um parque de triagem ali beneficiaria também o porto.

AGORA RN – O que é um parque de triagem?

VA: Parque de triagem é onde se faz o tratamento das cargas antes do embarque, o que torna mais rápida e descomplicada a operação, resumindo. No caso do porto de Natal, um dos benefícios seria o de evitar a aglomerações de caminhões com cargas, lembrando que o nosso porto não dispõe de retroárea. E São Gonçalo, que fica a menos de 30 Km de lá, pode desempenhar essa função, tendo acessos acesso pela BR 304, pela BR 101 Sul, pela BR 101 Norte. Isso, sem mencionar o aeroporto, ali ao lado. Tudo isso nos torna logisticamente estratégica.

AGORA RN – A saída da Inframérica da operação do aeroporto de São Gonçalo atrasou esse projeto?

VA: Eu diria que acelerou e até pode ensejar a vinda de outra companhia com maior capacidade de investimento neste momento. Até porque o contrato inicial com a Inframérica, por ser o primeiro aeroporto privado do País, foi complicado e desfavorável para a empresa. Esse contrato amarrou os investimentos. Já outra empresa chegará com tudo pronto e com outra condição contratual, tendo condições melhores de investimento do que a Inframérica.

AGORA RN – E a pandemia?

VA: Atrapalhou muito, mas, em compensação, favoreceu tremendamente o setor de e-comerce. Isso nos estimulou a trabalhar a vinda de empresas de logística que queiram criar aqui centros de distribuição.

AGORA RN – Como o senhor definiria ter um aeroporto internacional no quintal de casa, apesar do cenário econômico?

VA: A proximidade do aeroporto é nosso diferencial competitivo, faz parte do que chamamos de “externalidades positivas” que, se bem tratadas, bem trabalhadas, com ordenamento e organização, vai impactar economicamente toda a região, tendo São Gonçalo como o maior beneficiado. Mas isso só será possível com obras de infraestrutura no entorno do aeroporto; também estamos trabalhando com aspectos regulatórios para que não haja uma ocupação desordenada da área.

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