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Economia

Sal do RN perde mercado nos Estados Unidos

Tarifa de 37,5% imposta pelos EUA reduz exportações, dificulta contratos e amplia pressão sobre principal cadeia salineira do país
Por O Correio de Hoje
29/07/2026 | 13:58

A indústria salineira do Rio Grande do Norte enfrenta um cenário de retração nas exportações para os Estados Unidos após a elevação das tarifas de importação aplicadas ao sal brasileiro. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Sal do Estado do Rio Grande do Norte (Siesal-RN), Airton Torres, o produto passou a ser tributado em 37,5%, resultado da combinação de uma tarifa específica de 25% sobre produtos brasileiros e de outra de 12,5% aplicada a países enquadrados pelos Estados Unidos em medidas relacionadas ao combate ao trabalho forçado. O impacto, afirma o dirigente, vai além da perda de competitividade e compromete a capacidade das empresas de negociar contratos de médio e longo prazo com clientes americanos.

Segundo Torres, em entrevista concedida à Rádio Mix Natal, a instabilidade começou ainda em julho do ano passado, quando o governo americano anunciou uma sobretaxa de 50% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo o sal. Embora parte da medida tenha sido posteriormente revertida pela Justiça dos Estados Unidos, permanecendo uma tarifa de 10%, a insegurança comercial já havia interrompido novas negociações. “A indústria salineira ficou impossibilitada de negociar com os seus clientes americanos contratos de médio e de longo prazo. Então, o impacto, ou seja, a redução das exportações, ocorreram a partir de julho do ano passado e não mais se normalizaram”, afirmou. Hoje, o setor convive com uma carga tarifária de 37,5%, que, segundo ele, restringe ainda mais o acesso ao principal mercado externo.

Ayrton Torres Sal (16)
Airton Torres, do Siesal-RN - Foto: José Aldenir

O Rio Grande do Norte responde por mais de 95% da produção brasileira de sal marinho. A atividade reúne cerca de 35 salinas distribuídas por municípios como Galinhos, Guamaré, Porto do Mangue, Macau, Areia Branca, Mossoró e Grossos, concentrando aproximadamente 36 mil hectares de área produtiva e gerando cerca de 15 mil empregos diretos e indiretos.

Parte das empresas utiliza o Terminal Salineiro de Areia Branca para atender o mercado externo, segmento diretamente atingido pela queda das exportações. Apesar da redução nas vendas internacionais, Torres afirma que, até o momento, não há perspectiva de demissões. “Não há, nesse momento, um risco de desemprego. As empresas estão suportando os prejuízos decorrentes da queda das exportações e contando com benefícios concedidos pelo governo estadual e com linhas de financiamento anunciadas pelo governo federal”, disse.

Sem alternativas viáveis para ampliar mercados, a indústria vê aumentar a oferta do produto no mercado interno, intensificando a concorrência entre os produtores. O dirigente avalia que o custo do transporte também compromete a competitividade do sal potiguar, especialmente após a instituição da política de pisos mínimos para o frete rodoviário, que eliminou parte das vantagens do chamado frete de retorno para o Nordeste. Paralelamente, o setor mantém interlocução com consultores nos Estados Unidos e com os governos brasileiro e americano na tentativa de reverter as tarifas.

De acordo com Torres, além de prejudicar os exportadores brasileiros, a medida também afeta consumidores americanos. “Muitos clientes entendem que o nosso sal é muito mais favorável. É um sal marinho, muito mais apropriado para o degelo das estradas do que outros tipos de sal disponíveis no mercado americano”, afirmou. Ao comentar o cenário internacional, o presidente do Siesal-RN atribuiu o endurecimento comercial à mudança de orientação da política econômica dos Estados Unidos. “A globalização está perdendo espaço para essa política de se fechar. Quem está comandando isso tudo são os Estados Unidos”, concluiu.