A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo foi colocada à venda no mercado internacional após intervenção na Eagle Football Holdings, grupo que controla o clube carioca. O processo foi conduzido pela Cork Gully, nova administradora da holding, e divulgado pelo jornal Financial Times.
A venda do Botafogo está inserida em um pacote mais amplo de ativos da Eagle Football, que inclui também o Olympique Lyonnais e o RWDM Brussels. Segundo a Cork Gully, o clube brasileiro é tratado como “um dos mais históricos do País”, em uma tentativa de atrair investidores interessados no futebol sul-americano.

A mudança no controle ocorre após a atuação da Ares Management, principal credora da holding, que acionou um mecanismo previsto na legislação inglesa para nomear administradores independentes. Com isso, o empresário John Textor perdeu poderes de decisão sobre a Eagle Football.
A intervenção foi motivada por uma sequência de mais de dez eventos de inadimplência e tentativas frustradas de renegociação ao longo dos últimos meses. Em comunicado, a Ares apontou “má gestão consistente” e “falta de conformidade regulatória” como fatores determinantes para a decisão de afastar Textor do comando da holding.
O processo de administração judicial busca estabilizar a estrutura financeira da Eagle Football e corrigir falhas operacionais e regulatórias, que já haviam gerado impactos esportivos, como sanções da FIFA, incluindo restrições a transferências.
A abertura do processo de venda da SAF do Botafogo ocorre em um momento de consolidação do modelo de clubes-empresa no Brasil, que tem atraído investidores estrangeiros nos últimos anos. A eventual negociação do ativo dependerá da capacidade de reequilibrar a governança da holding e de restaurar a confiança do mercado em relação à gestão dos clubes envolvidos.