A Petrobras anunciou nesta quinta-feira um reajuste de R$ 0,48 por litro no preço da gasolina vendida às refinarias. Apesar da alta expressiva na origem, o impacto estimado para o consumidor final será de até R$ 0,03 por litro nos postos, segundo a estatal, devido à mistura obrigatória de etanol anidro e à nova subvenção criada pelo governo federal.
De acordo com a Petrobras, a gasolina comercializada nos postos, chamada gasolina C, é composta por 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro. Com isso, a participação da estatal no preço final passará de R$ 1,80 para R$ 1,83 por litro.

O reajuste ocorre após semanas de pressão provocada pela alta internacional do petróleo, intensificada pela guerra no Oriente Médio. O preço da gasolina importada nos portos brasileiros disparou desde o início do conflito, pressionando a defasagem entre os valores praticados pela Petrobras e os preços internacionais.
Para reduzir o impacto ao consumidor e evitar um choque maior nos combustíveis, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou medida criando uma subvenção de até R$ 0,44 por litro da gasolina. O mecanismo funciona como uma espécie de cashback tributário, devolvendo às empresas parte dos tributos federais pagos sobre o combustível.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia sinalizado nas últimas semanas que um reajuste seria inevitável diante da escalada das cotações internacionais. A estatal aguardava apenas a definição das medidas compensatórias do governo.
Esta é a primeira alteração no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras desde outubro de 2025, quando houve redução de 4,9%. O diesel, por sua vez, já vinha sofrendo reajustes recentes devido à maior dependência brasileira de importações do combustível.
Segundo dados do setor, o Brasil importa parcela pequena da gasolina consumida internamente, o que reduz a pressão imediata sobre o abastecimento. No caso do diesel, cerca de um quarto do mercado depende de importações, cenário que levou o governo a ampliar subsídios também para esse combustível.
A medida ocorre em meio à preocupação do governo federal com inflação, impacto no custo de vida e desgaste político provocado pela alta dos combustíveis. Além da gasolina, o diesel recebeu nova subvenção de R$ 0,35 por litro, somando-se aos incentivos anteriores concedidos a produtores nacionais e importadores.