O Rio Grande do Norte ocupa a quinta posição entre os Estados do Nordeste em número de trabalhadores que contrataram empréstimos por meio do crédito consignado CLT, modalidade criada pelo Governo Federal em março de 2025. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que 117,4 mil trabalhadores potiguares aderiram ao programa entre 21 de março de 2025 e 7 de maio de 2026.
Nesse período, foram firmados 254.764 contratos no Estado, movimentando R$ 1,18 bilhão em empréstimos. O levantamento também mostra que o volume financeiro contratado no Nordeste chegou a R$ 18,7 bilhões, enquanto, em nível nacional, as operações somaram R$ 127 bilhões distribuídos em cerca de 21 milhões de contratos para mais de nove milhões de trabalhadores.

No ranking regional, o Rio Grande do Norte aparece atrás da Bahia, que lidera com 476.109 trabalhadores aderindo ao consignado CLT, seguida por Ceará (310.535), Pernambuco (302.843) e Maranhão (200.289). Sergipe, com 96.346 adesões, e Piauí, com 67.581, registraram os menores volumes entre os estados nordestinos citados no levantamento.
O crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada, chamado pelo governo de Crédito do Trabalhador, permite a contratação de empréstimos diretamente pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital). As parcelas são descontadas mensalmente na folha de pagamento, com garantia vinculada ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Quando lançou a modalidade, o Governo Federal apresentou a proposta como alternativa para ampliar o acesso ao crédito com juros mais baixos e estimular a migração de dívidas consideradas mais caras. Os dados de adesão, porém, indicam crescimento acelerado da procura pelo crédito em um cenário de pressão sobre o orçamento das famílias.
Segundo o MTE, o valor médio dos empréstimos contratados no Rio Grande do Norte é de R$ 4.649,58. Os financiamentos têm prazo médio de 26 parcelas, prestação média de R$ 181,99 e taxa de juros de 3,46%.
Diante do avanço da modalidade, o Ministério do Trabalho informou que vem adotando medidas de monitoramento voltadas à prevenção de riscos associados ao superendividamento. Entre elas está a Resolução CGCONSIG/MTE nº 2/2026, que estabelece regras para fiscalização de práticas relacionadas a juros e ao Custo Efetivo Total (CET) das operações.
Na avaliação do ministério, a norma busca ampliar a transparência e reduzir práticas consideradas abusivas nas concessões de crédito. “Como medida de proteção, a norma busca coibir abusos e promover a concessão de crédito em bases mais sustentáveis, em benefício dos trabalhadores”, informou o MTE em nota.
O crescimento do consignado CLT ocorre em meio ao aumento da demanda por crédito entre trabalhadores formais, impulsionado pela tentativa de reorganização financeira e pelo encarecimento do custo de vida nos últimos anos.