O Rio Grande do Norte ganhou notoriedade nacional na produção de energia eólica, com constante crescimento do setor e potencial para aumentar a produção. Mas esse destaque não se dá somente pela energia dos ventos. O RN é também a terra do sol: a constante incidência de raios solares em diferentes regiões faz do estado potiguar um local com grande capacidade de exploração da energia fotovoltaica.
“Tem locais com muito vento. E em locais que não têm muito vento, que talvez não seja interessante para as eólicas, têm muito potencial solar. Ou seja, conseguimos desenvolver projetos de geração de energia eólica e solar no estado inteiro”, explica Darlan Santos, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia do Rio Grande do Norte (Cerne).

De acordo com ele, a região do semiárido é a mais propícia para a geração de energia através dos raios solares. Isso porque é uma localidade com baixos índices de chuva, com chuvas descentralizadas, com baixo índice de nebulosidade e com alto índice de radiação solar. “Então acabamos tendo também uma condição de geração fotovoltaica muito boa”, reforça Darlan Santos.
A energia solar só foi incluída nos leilões nacionais a partir de 2014, cinco anos depois do primeiro realizado com energia eólica. O presidente do Cerne afirma que se trata de um setor que tem ainda muito a crescer.
“A produção de energia fotovoltaica de grande porte não está no mesmo nível da eólica, porque a produção de energia eólica começou antes. Mas a fotovoltaica, a centralizada, de grandes parques, está acontecendo. E vai acontecer muito aqui também no estado”, diz Santos.
O senador Jean Paul Prates (PT-RN), especialista em energias renováveis, adianta que a região do Alto Oeste tem grande potencial solar, assim como também o Seridó potiguar. “Vamos começar a ter muitos parques híbridos: de geração de energia solar junto com eólica”, afirma.
Segundo Jean Paul, outro fator que contribui para que o Rio Grande do Norte não tenha ainda tantos projetos de grande porte de energia fotovoltaica diz respeito a uma questão logística. O senador explica que a incidência de sol – diferente dos ventos – é semelhante em várias regiões do Brasil. Por esse motivo, um diferencial de um estado para atrair empreendimentos dessa natureza é a proximidade com os grandes centros consumidores de energia, além da infraestrutura de suporte.
Isso porque, assim como nos parques eólicos, os parques fotovoltaicos entregam a energia no sistema nacional de distribuição. A partir daí, essa energia elétrica é enviada aos locais onde há demanda. Como o Sudeste tem centros urbanos maiores, esses parques acabam optando por se instalar por lá, dada a proximidade do ponto final de consumo.
“Mas é importante dizer que essas empresas vão vir para cá. Porque quando essas áreas de produção com menos incidência solar, como Minas Gerais, forem saturadas, as empresas operadoras dos parques vão procurar os lugares de melhor ocorrência de sol. E o Rio Grande do Norte está dentro disso”, afirma o senador Jean.

Geração distribuída
As energias renováveis têm servido para redução de danos e suporte ao sistema nacional de energia. Mas também, no caso da solar, para os pequenos comerciantes e donos de imóveis residenciais. Darlan Santos esclarece que, ao se tratar de energia fotovoltaica, é necessário fazer uma separação.
A atividade de produção de energia a partir do sol em larga escala ocorre de maneira parecida com a eólica, com grandes parques operados por empresas multinacionais e altos investimentos, produzindo energia para ser enviada para diferentes localidades, dentro do mercado regulado pelos leilões.
Paralelo a isso, as placas utilizadas na produção de energia solar tornaram-se acessíveis a mais gente, estimulando a instalação de usinas no ponto final de distribuição: casas das pessoas, comércios e indústrias etc. É a geração distribuída.
Esta se caracteriza por sistemas de operação menores, com diversas empresas, inclusive locais, atuando no mercado, contratando mão de obra local para a operação e manutenção dos equipamentos. “É um outro mercado, um outro negócio. Mas um negócio tão importante quanto o dos grandes parques, porque uma usina fotovoltaica centralizada, grande, com 500 a 400 mil painéis, concentra o volume maior da mão de obra na construção. Na geração distribuída, são milhares de pequenos projetos, com centenas de pequenas empresas, com vários funcionários. Então eu acho que tem maior impacto social, porque é um serviço perene”, argumenta Darlan Santos.
Segundo a projeção feita pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) no ano passado, a expectativa é de que o setor de microgeração e minigeração distribuída gere 672 mil empregos até 2035 no Brasil.
A expansão do setor tem provocado cada vez mais o aparecimento de novos projetos de produção de energia a partir do sol. O senador Jean Paulo conta que em seu mandato desenvolve um programa para a instalação de usinas solares em escolas públicas em diferentes cidades do Rio Grande do Norte. Treze instituições de ensino vão receber as estruturas do programa “Escolas Solares”.
“Esses equipamentos vão servir para baratear as contas de luz dessas escolas, mas a ideia é que também sirvam de laboratório para os estudantes e, quem sabe, os estimule a se profissionalizar no setor, que precisará a cada dia mais de mão de obra”, acrescenta o Senador.
De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Rio Grande do Norte tem atualmente seis projetos solares de grande porte com capacidade de 13,9 Megawatts, além de mais 35 empreendimentos com construção iniciada, que terão capacidade de produção de mais de 1 Gigawatt.
Na geração distribuída, por outro lado, são 10.291 pequenos projetos, gerando 134,91 Megawatts em 162 dos 167 municípios potiguares.