A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) voltou a crescer em abril e atingiu 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados nesta segunda-feira 2 pelo Banco Central. Em março, o indicador correspondia a 80% do PIB.
Em valores nominais, a dívida passou de R$ 10,356 trilhões para R$ 10,443 trilhões no período. O indicador reúne os débitos do governo federal, estados e municípios, excluindo o Banco Central e as empresas estatais.

A dívida bruta é um dos principais parâmetros utilizados por investidores e agências internacionais de classificação de risco para avaliar a capacidade de pagamento do país. Quanto maior o endividamento em relação ao PIB, maior tende a ser a percepção de risco fiscal.
Apesar da alta registrada em abril, o indicador permanece abaixo do pico histórico observado durante a pandemia de Covid-19. Em dezembro de 2020, a dívida bruta alcançou 87,6% do PIB em meio às medidas emergenciais adotadas para enfrentar a crise sanitária. O menor nível da série histórica foi registrado em dezembro de 2013, quando representava 51,5% do PIB.
Pela metodologia utilizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que adota critérios distintos de cálculo, a dívida bruta brasileira avançou de 92% para 93,1% do PIB entre março e abril.
Outro indicador acompanhado pelo mercado, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), também apresentou aumento. Considerando ativos financeiros do governo, como as reservas internacionais, a dívida líquida passou de 66,8% para 67,4% do PIB. Em valores absolutos, atingiu R$ 8,752 trilhões.
Apesar da elevação do endividamento, as contas públicas apresentaram resultado positivo em abril. O setor público consolidado — formado pelo governo federal, estados, municípios e empresas estatais, com exceção da Petrobras e da Eletrobras — registrou superávit primário de R$ 24,624 bilhões.
O resultado representa uma recuperação em relação a março, quando havia sido registrado déficit de R$ 80,676 bilhões. Também supera o saldo positivo de R$ 14,150 bilhões apurado em abril de 2025.
O desempenho veio acima das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela pesquisa Projeções Broadcast estimavam superávit de R$ 23,2 bilhões, com previsões variando entre R$ 18 bilhões e R$ 26 bilhões.
Segundo o Banco Central, este foi o maior superávit primário para um mês de abril desde 2022, quando o saldo positivo alcançou R$ 38,876 bilhões.
A maior contribuição para o resultado veio do governo central, que engloba Tesouro Nacional, Banco Central e INSS. O segmento registrou superávit de R$ 26,075 bilhões. Estados e municípios, em conjunto, apresentaram saldo positivo de R$ 329 milhões.
As empresas estatais, por sua vez, encerraram o mês com déficit de R$ 1,781 bilhão.
Separadamente, os estados registraram déficit de R$ 1,091 bilhão, enquanto os municípios tiveram superávit de R$ 1,420 bilhão, contribuindo para o resultado positivo consolidado do setor público em abril.