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Cultura

Rendeiras de bilros de Ponta Negra viram patrimônio cultural imaterial

Grupo é responsável pela preservação de uma das mais tradicionais manifestações artesanais de Natal
Redação
18/06/2026 | 05:45

As rendeiras de bilros da Vila de Ponta Negra passaram a ser reconhecidas oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Natal. A medida foi estabelecida pela Lei nº 8.139, sancionada pelo prefeito Paulinho Freire (União) e publicada nesta quarta-feira 17.

A legislação declara patrimônio cultural imaterial as “Rendeiras de Bilros da Vila de Ponta Negra”, grupo responsável pela preservação de uma das mais tradicionais manifestações artesanais da capital potiguar.

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Rendeiras de bilros de Ponta Negra viram patrimônio cultural imaterial - Foto: Viviane Nobre

De acordo com a lei, as rendeiras de bilro da Vila de Ponta Negra passam a ser consideradas artesãs especialistas na arte de rendar com bilros, instrumento de madeira utilizado na confecção das rendas. A técnica consiste no uso de pequenos bastões de madeira com extremidades onde são enroladas as linhas utilizadas no trançado. O trabalho é executado sobre uma base de madeira revestida por uma almofada, que serve de suporte para a elaboração das peças.

Além do reconhecimento das artesãs, a norma determina que o município reconheça o memorial das rendeiras, localizado na Rua Vereador Manoel Coringa de Lemos, nº 484, na Vila de Ponta Negra, como espaço cultural de preservação da memória e da história das rendeiras de bilro. O texto também prevê a possibilidade de inclusão do local no roteiro turístico oficial de Natal.

A lei estabelece ainda que o Poder Executivo Municipal realize os registros necessários nos livros próprios do órgão competente para formalizar o reconhecimento patrimonial.

A tradição da renda de bilros em Ponta Negra é considerada uma das expressões culturais mais conhecidas do litoral potiguar. A técnica foi trazida ao Brasil pelos portugueses há mais de quatro séculos e continua sendo transmitida entre gerações de mulheres da comunidade.

A produção é realizada manualmente por artesãs que trabalham diante de uma almofada onde são fixados os moldes que orientam os desenhos da renda. A movimentação dos bilros produz um som característico, conhecido pelas rendeiras como a “zoada dos bilros”.

Atualmente, a atividade é organizada pela Associação Rendeiras da Vila de Ponta Negra, formada por cerca de 80 participantes. O grupo produz peças como toalhas, saias, blusas, centros de mesa e outros artigos artesanais. O valor dos produtos é calculado principalmente com base no tempo de trabalho das artesãs, que representa aproximadamente 80% do custo de produção.

A associação foi formalizada em 2019 e passou a atuar também na comercialização dos produtos para outros estados. Entre as iniciativas adotadas estão a ampliação da presença digital e a utilização de redes sociais para divulgação e venda das peças, estratégia que permitiu ampliar o alcance do artesanato produzido na comunidade.

O espaço das rendeiras também desenvolve atividades de formação, oferecendo cursos de renda de bilros para moradores da Vila de Ponta Negra e turistas interessados em conhecer a técnica. O local funciona como ponto de preservação da tradição artesanal e de geração de renda para as famílias envolvidas na atividade.

Com o reconhecimento oficial como patrimônio cultural imaterial, a atividade passa a contar com um instrumento legal voltado à valorização e preservação da renda de bilros como elemento da identidade cultural de Natal.