BUSCAR
BUSCAR

Produção de querosene de aviação pode ser trunfo do RN pelo hub

29/06/2015 | 10:17

Cada carta do disputado jogo técnico, político e econômico que envolve a disputa pelo centro de conexão de vôos que a TAM quer instalar no Nordeste brasileiro, chama a atenção das três cidades candidatas ao investimento de R$ 4 bilhões previsto para 2016. Instalada a 170 quilômetros de Natal, fica uma das apostas potiguares, que, na visão de especialistas, pode representar o trunfo da capital sobre as poderosas concorrentes (Fortaleza e Recife).

A Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC), em Guamaré, produz o querosene de aviação (QAV) em terras potiguares, vendido R$ 0,07 mais barato que em Fortaleza, por exemplo, e pode gerar uma economia de R$ 1.400, por cada abastecimento, à companhia. O cálculo é do presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, baseado em dados disponibilizados pela própria Petrobrás. A perspectiva é de que a produção, que hoje já atende à demanda do Estado e alcança os limites dos vizinhos, seja dobrada em dezembro deste ano. Vai passar de 12 mil m³ por mês para 24 mil m³, num investimento de R$ 30 milhões.

Produção de querosene de aviação pode ser trunfo do Rio Grande do Norte pelo hub

A demanda atual do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante é de 6 mil m³ de QAV, por mês, podendo chegar a 8 mil m³. Com a possível chegada do hub, o terminal passaria a demandar 12 mil m³ no mesmo espaço de tempo, ou 15 mil m³ durante a alta estação.

“O grande componente do custo operacional é o combustível. É o que mais varia e faz diferença para as companhias. O QAV é um combustível nobre, que sai do topo da coluna de destilação da refinaria. É mais caro, mais difícil de produzir”, explica. Conforme divulgado desde o princípio da disputa pelo hub, o custo com o querosene representa 40% dos gastos operacionais da TAM.

Jean Paul explica que o desconto de R$ 1.400 leva em conta que os tanques das aeronaves comportam 20 mil litros. O cálculo ignora, porém, os gastos com o transporte e a venda desse produto no terminal. Cada etapa acrescenta sua margem ao produto. “É um fator de competitividade. O avião vai, muitas vezes, pernoitar, vai abastecer mais vezes aqui que em outros lugares. E esse valor faz diferença”, considera.

Novo Jornal