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Carros

Porsche aposta em novos modelos de alto padrão para retomar crescimento após queda nos lucros

Montadora avança com modelos mais caros, corte de custos e foco em margem para reagir após queda de 92,7% no lucro operacional
Por O Correio de Hoje
24/03/2026 | 17:25

A Porsche avalia ampliar sua linha de veículos com a introdução de modelos ainda mais sofisticados, em uma tentativa de reverter a queda de desempenho registrada no ano passado. A estratégia é conduzida pelo novo presidente-executivo, Michael Leiters, que assumiu o comando da montadora em janeiro com a missão de reposicionar a marca.

Ex-executivo da Ferrari e ex-presidente da McLaren, Leiters afirmou que pretende “agir de forma ainda mais decisiva” para tornar a empresa mais eficiente, diante de um cenário que já levou a Porsche a registrar 3,9 bilhões de euros (cerca de R$ 24 bilhões) em baixas contábeis e impactos tarifários em 2025.

CEO Porsche
Estratégia é conduzida pelo novo presidente-executivo da Porsche, Michael Leiters, que assumiu o comando da montadora em janeiro deste ano - Foto: Divulgação

Na avaliação do executivo, a estrutura da empresa cresceu além do necessário. “A organização cresceu desproporcionalmente em relação ao desenvolvimento do nosso negócio”, afirmou em sua primeira apresentação a investidores. “Sob as condições alteradas, a redução previamente planejada não será suficiente.”

A nova diretriz indica uma mudança de foco: em vez de priorizar volume de vendas, a Porsche pretende elevar suas margens de lucro. Para isso, aposta na retomada de modelos com motor a combustão e na ampliação do portfólio, incluindo veículos de maior valor agregado. Entre as possibilidades apresentadas a investidores estão um utilitário esportivo de porte superior — mais caro que os modelos atuais — e um novo supercarro.

Segundo Leiters, a estratégia também abre espaço para ampliar receitas com personalização, uma abordagem já consolidada em marcas como a Ferrari. “A demanda por veículos com motores de combustão interna continuará a nos oferecer potencial”, disse. Ao mesmo tempo, indicou cautela em relação ao mercado de veículos elétricos. “O mercado de veículos elétricos a bateria é caracterizado por intensa competição de preços, que não seguiremos por razões econômicas e relacionadas à marca.”

Os números recentes reforçam o desafio. O lucro operacional da Porsche caiu para 400 milhões de euros (cerca de R$ 2,4 bilhões) no ano passado, uma retração de 92,7%. O resultado foi impactado por tarifas nos Estados Unidos, custos extraordinários relacionados à revisão da estratégia de eletrificação e novos investimentos em modelos a combustão.

Para este ano, a empresa prevê novos encargos decorrentes da reestruturação. De acordo com o diretor financeiro, Jochen Breckner, os custos adicionais devem variar entre 800 milhões e 900 milhões de euros, refletindo medidas adotadas desde o início de 2026.

Paralelamente, a Porsche negocia com sindicatos um novo pacote de corte de despesas, que inclui a redução de 3.900 postos de trabalho até o fim da década. “Acho que está claro que a Porsche será mais compacta do que é hoje”, afirmou Leiters.

O desempenho da marca também afetou o grupo Volkswagen, tradicionalmente beneficiado pelos resultados da divisão de luxo. No último ano, porém, a rentabilidade da Porsche ficou abaixo das marcas de volume da montadora alemã. Diante disso, a Volkswagen intensificou seu próprio programa de ajuste, com previsão de até 50 mil cortes de empregos na Alemanha até 2030.

Em termos de perspectiva, a Porsche projeta uma margem operacional entre 5,5% e 7,5% neste ano, abaixo da estimativa de 7,8% dos analistas. Em 2025, a margem foi de apenas 1,1%, distante dos 14% registrados no ano anterior.

Outro fator de pressão tem sido o desempenho na China, onde as vendas da marca recuaram 26% no último ano. A projeção atual ainda não considera os possíveis efeitos da guerra no Oriente Médio, mas, segundo Breckner, “a situação pode afetar adversamente as cadeias de suprimentos e a demanda”.

A Volkswagen também avalia que o conflito pode comprometer as vendas na região e trazer riscos adicionais para suas marcas premium.