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Delação

Polícia Federal vê pouca novidade em nova delação de Vorcaro

Investigadores avaliam que material traz mais detalhes, mas não altera rumo das apurações; nova reunião deve ocorrer nos próximos dias
Por O Correio de Hoje
09/06/2026 | 15:25

Investigadores da Polícia Federal avaliam que a nova proposta de acordo de colaboração apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ainda não trouxe informações inéditas capazes de alterar o rumo das investigações sobre o chamado caso Master. Apesar disso, uma nova reunião entre a defesa do empresário e representantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) deverá ocorrer nos próximos dias para discutir o material entregue.

A análise preliminar dos investigadores é de que a segunda versão da proposta de delação possui maior riqueza de detalhes, incluindo datas, contextos e explicações adicionais, mas sem acrescentar elementos efetivamente novos às apurações em andamento. A percepção interna é que o conteúdo adota um tom predominantemente defensivo, buscando justificar condutas do ex-banqueiro em vez de apresentar revelações relevantes para as investigações.

Vorcaro
Empresário Daniel Vorcaro, do Master - Foto:

As negociações para um possível acordo de colaboração já haviam enfrentado dificuldades anteriormente. A primeira proposta apresentada pela defesa de Vorcaro, em maio, foi rejeitada por policiais e procuradores, levando a Polícia Federal a anunciar o encerramento das tratativas. Pouco depois, contudo, as conversas foram retomadas diante da expectativa de que o empresário pudesse fornecer informações inéditas sobre o esquema investigado.

Conforme revelou o jornal O Globo, as autoridades continuam analisando cuidadosamente a nova documentação antes de decidir se mantêm ou encerram definitivamente as negociações para um acordo de colaboração premiada. As investigações seguem avançando paralelamente por meio da análise do conteúdo extraído dos celulares apreendidos nas oito fases da Operação Compliance Zero, especialmente em relação às conexões de Vorcaro com agentes políticos e à atuação de operadores financeiros no Brasil e no exterior.

As linhas gerais da segunda proposta foram entregues na última segunda-feira, sendo complementadas em uma reunião posterior entre defesa e investigadores. Um terceiro encontro, inicialmente previsto para a quarta-feira passada, acabou sendo adiado para que os órgãos de investigação tivessem mais tempo para examinar o material, devendo ser remarcado para esta semana.

Sob sigilo judicial, o conteúdo da primeira proposta não foi divulgado oficialmente. Interlocutores ouvidos por O Globo afirmam que Vorcaro buscou justificar pagamentos realizados e sua proximidade com figuras políticas, evitando admitir a prática de crimes, postura considerada incompatível com a lógica tradicional dos acordos de colaboração, nos quais o investigado oferece provas inéditas em troca de benefícios penais.

Segundo a reportagem, o empresário também teria deixado de mencionar fatos que já eram conhecidos pelos investigadores, como a suposta mesada atribuída ao senador Ciro Nogueira, que nega qualquer irregularidade, além das conversas mantidas com o senador Flávio Bolsonaro e com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.

As tratativas ocorrem sob um regime excepcional autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme informou o colunista Lauro Jardim, desde o dia 25 do mês passado os advogados de Vorcaro vêm realizando reuniões diárias com o ex-banqueiro, das 9h às 17h, para revisar informações e discutir os termos da colaboração.

A partir da próxima semana, entretanto, esse regime especial deverá ser encerrado, voltando a valer a regra ordinária que limita as visitas a dois advogados por dia, por até 30 minutos cada.