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Caso INSS

PF mira parentes de Weverton Rocha e advogado em ação contra fraudes no INSS

Ação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e cumpre 18 mandados de busca no Maranhão e no Distrito Federal
Por O Correio de Hoje
04/08/2026 | 16:29

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira 4, uma nova fase da Operação Sem Desconto para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema de fraudes em descontos de aposentados e pensionistas do INSS. Entre os alvos das diligências, estão parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz.

Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Maranhão e no Distrito Federal, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Weverton, que integra a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já havia sido alvo da operação em dezembro do ano passado. Procurado nesta terça, o senador não se manifestou.

PF cumpre 18 mandados em nova fase da Operação Sem Desconto e investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas às fraudes no INSS
Senador Weverton integra a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Foto: Marcos Oliveira / Senado

Segundo a PF, a nova etapa foi aberta após a identificação de movimentações financeiras e patrimoniais consideradas atípicas. Os investigadores suspeitam que pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, empresas e operações em dinheiro vivo tenham sido utilizadas para ocultar a origem e o destino dos recursos. As diligências buscam esclarecer a finalidade dos repasses e individualizar a eventual participação dos investigados.

A defesa de Willer Tomaz afirmou que a busca está relacionada exclusivamente ao fato de o advogado ser proprietário de uma aeronave utilizada pelo senador em uma viagem particular já conhecida publicamente. Segundo a nota, a cessão do avião ocorreu por razões pessoais e de amizade. “Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”, declarou a defesa.

Willer mantém trânsito entre parlamentares de diferentes campos políticos. Próximo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ele também é sócio do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, que trabalhou na campanha presidencial de Lula, e já defendeu o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Em 2017, foi preso na Operação Patmos, sob suspeita de intermediar o vazamento de informações sigilosas do Ministério Público Federal, mas a denúncia foi rejeitada pela Justiça.

A relação entre Weverton e o caso também é investigada a partir do depoimento de um ex-funcionário do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Ele afirmou à PF que uma filha do senador viajou em uma aeronave do lobista. O encontro teria ocorrido em fevereiro de 2024, no Aeroporto Catarina, em São Roque, no interior de São Paulo.

Weverton é um dos senadores mais influentes da Casa e mantém proximidade com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele foi relator do projeto de uma nova Lei do Impeachment e da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF. Lula chegou a conversar pessoalmente com o parlamentar em busca de apoio à indicação.

A PF já concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto, relativo a descontos realizados pela Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). O relatório, encaminhado em julho ao ministro André Mendonça, reúne 48 indiciamentos, entre eles os do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, do Careca do INSS e do deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG).

Essa frente específica da investigação não abrange outros nomes que já apareceram em apurações relacionadas ao caso, como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger.