Ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro confirmou que recebeu um empréstimo pessoal da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal. Conhecido como Marcola, ele afirmou que a dívida já foi quitada e negou a existência de irregularidades na operação.
“Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”, declarou Marcola, em nota divulgada na noite desta segunda-feira 3.

A manifestação ocorreu após o site Poder360 informar que o então chefe de gabinete havia recebido pagamentos de Roberta. Segundo o veículo, a relação entre os dois foi comentada nos bastidores por integrantes da cúpula do PT durante a convenção partidária realizada no fim de semana. O valor do empréstimo não foi informado. Procurada pelo site, a defesa da empresária afirmou desconhecer o assunto.
Marcola deixou a chefia de gabinete da Presidência há cerca de duas semanas para integrar a equipe da campanha de Lula. A revelação também foi explorada pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que publicou um vídeo para atacar o petista. “De onde veio o dinheiro? É dinheiro do aposentado?”, questionou.
Roberta Luchsinger é sócia da RL Consultoria e Intermediações e mantém relação de amizade com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e alvo de investigações da PF. Em depoimento prestado em maio, ela afirmou ter apresentado Lulinha ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, antes da deflagração da Operação Sem Desconto.
A investigação apura um esquema que teria retirado mais de R$ 6 bilhões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social entre 2019 e 2024. O Careca do INSS é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores das fraudes envolvendo descontos em aposentadorias e pensões.
Roberta foi alvo de mandados de busca em dezembro do ano passado. No curso da investigação, a PF identificou pagamentos que somam R$ 1,5 milhão feitos por uma empresa ligada ao Careca do INSS a uma companhia da empresária.
Em documento produzido no ano passado, a Polícia Federal classificou a atuação de Roberta como “essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais”.
Lulinha nega envolvimento em qualquer irregularidade. Atualmente, dois inquéritos da PF investigam a atuação do filho do presidente. O primeiro, autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apura se ele teria atuado no Ministério da Saúde e no gabinete da Presidência para conseguir autorização para a comercialização de cannabis medicinal.
Na segunda investigação, a PF procura esclarecer se Lulinha agiu junto à Dataprev, empresa vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação, com o objetivo de favorecer um empresário e buscar contratos.
A Polícia Federal também solicitou a abertura de uma terceira frente de apuração sobre suspeitas de tráfico de influência. O pedido foi encaminhado ao STF e, após sorteio, ficou sob a relatoria do ministro Flávio Dino, indicado por Lula para a Corte.