O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), líder da oposição, foi alvo de buscas da Polícia Federal nesta quinta-feira 18 no âmbito da Operação Lesa Pátria, destinada a identificar pessoas que planejaram, financiaram e incitaram os ataques do 8 de janeiro às sedes dos três Poderes.
A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), onde a apuração tramita sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, após pedido da PF, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Agentes federais cumpriram dez mandados de busca no Rio de Janeiro (8) e no Distrito Federal (2). O deputado prestou depoimento nesta quinta na sede da PF no Rio.
“Os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa e incitação ao crime”, informou a PF, em nota.
Um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Congresso, o parlamentar afirmou, em uma rede social, ser vítima de uma “medida autoritária, sem fundamento, sem indício algum, que somente visa perseguir, intimidar e criar narrativa às vésperas de eleição municipal”.
Em outro post, ele disse: “A covardia feita hoje é sintomática. Estamos numa ditadura que distorce e manipula fatos para perseguir adversários. Que Deus olhe pelo Brasil!”
As suspeitas relacionadas a Jordy incluem eventos de teor antidemocrático ocorridos no Rio de Janeiro, incluindo acampamentos em frente a quartéis das Forças Armadas e bloqueios de rodovias, após as eleições de 2022.
Segundo a PF, foram descobertos, a partir de informações obtidas em fases anteriores da operação, indícios de “fortes ligações” entre o vereador suplente da Câmara Municipal de Campos Carlos Victor de Carvalho, conhecido como CVC, e Jordy.
Carlos Victor organizava ao menos 15 grupos de WhatsApp com mensagens de teor golpistas, além de manifestações antidemocráticas. Segundo a PF, há sinais de que Jordy orientava CVC e “tinha o poder de ordenar as movimentações antidemocráticas, seja pelas redes sociais ou agitando a militância da região”.
Rogério e Girão saem em defesa de Jordy
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), usou as redes sociais para criticar a operação da PF contra Carlos Jordy. Em publicação no X (antigo Twitter), Rogério Marinho pediu o “término de inquéritos excepcionais que viraram rotina”.
“‘Democracia Tutelada’. Minha solidariedade ao líder Carlos Jordy, deputado federal que teve seu gabinete hoje alvo de busca e apreensão por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Urge no Brasil o restabelecimento da normalidade democrática, o necessário reequilíbrio entre poderes, a transparência e o término de inquéritos excepcionais que viraram rotina. Esse clima inquisitorial é incompatível com a democracia (sic)”, escreveu o senador potiguar.
Também investigado pela PF, por incitação aos atos golpistas, o deputado federal General Girão (PL-RN) também se pronunciou. “Fomos eleitos para ‘parlar’, isto é, falar. Não podemos aceitar que queiram nos calar”, escreveu o deputado.