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Indústria

Pesquisa da CNI mostra que salário e estabilidade guiam trabalhadores

Salário, estabilidade e perspectivas de crescimento na carreira aparecem como os principais atributos desejados para a ocupação
Redação
09/06/2026 | 05:53

Mesmo diante do avanço do trabalho remoto, da flexibilização das jornadas e das transformações provocadas pela digitalização da economia, os trabalhadores brasileiros continuam valorizando fatores tradicionais ao projetar o futuro profissional. Salário, estabilidade e perspectivas de crescimento na carreira aparecem como os principais atributos desejados para a ocupação que pretendem exercer nos próximos cinco anos.

Os dados constam na 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Futuro Profissional, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento mostra que 28,7% dos entrevistados apontam a remuneração como o principal diferencial da profissão almejada, seguida pela estabilidade no emprego, mencionada por 22,4%, e pelas oportunidades de crescimento profissional, citadas por 20,1%.

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Pesquisa da CNI mostra que salário e estabilidade guiam trabalhadores - Foto: José Aldenir/Agora RN

Os resultados indicam que esses fatores continuam superando aspectos frequentemente associados às novas formas de trabalho. A flexibilidade de horários foi apontada por 19,3% dos entrevistados, enquanto a possibilidade de trabalhar remotamente aparece com 15,9%. Já a jornada reduzida foi considerada prioritária por apenas 9,8% dos participantes.

Para a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, a pesquisa demonstra que a busca por segurança profissional continua sendo um dos principais elementos de atração para os trabalhadores.

“Mesmo nesse cenário de novas modalidades de trabalho, em que a flexibilidade acaba sendo também uma moeda de troca, esses fatores tradicionais são valorizados e acabam sendo muito associados ao emprego com carteira assinada. Essa estrutura de trabalho continua sendo a primeira opção do trabalhador e é isso que faz com que ele continue mirando essa relação de trabalho formal no médio e no longo prazo”, afirma.

A preferência pela formalização já havia aparecido em levantamentos anteriores da série produzida pela CNI. Segundo os dados, 36,3% das pessoas ocupadas que procuraram emprego no mês anterior à pesquisa apontaram o trabalho formal regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como a oportunidade mais atrativa.

Entre os jovens de 25 a 34 anos, esse percentual é ainda maior e alcança 41,4%, indicando que a estabilidade proporcionada pelo emprego formal continua exercendo forte influência sobre as expectativas profissionais dessa faixa etária.

O estudo também investigou as principais dificuldades enfrentadas pelos brasileiros para alcançar a profissão desejada. A falta de vagas com boas condições de trabalho aparece como o principal obstáculo, apontado por 22% dos entrevistados. Em seguida surgem a falta de experiência prática suficiente, mencionada por 17,6%, e a ausência de cursos de formação compatíveis com as exigências do mercado nas regiões onde vivem, citada por 16,9%.

Outros fatores identificados incluem a necessidade de cuidar de familiares, apontada por 16,1% dos participantes, a falta de qualificação exigida pelo mercado, com 12,7%, e a escassez de informações sobre oportunidades de emprego, mencionada por 11,9%. A discriminação por parte dos empregadores foi relatada por 8,3% dos entrevistados. Além dos desafios para ingressar ou avançar na carreira, a pesquisa revela um cenário de incerteza sobre o futuro profissional. Cerca de 43% dos brasileiros afirmaram não saber em qual ocupação se imaginam trabalhando daqui a cinco anos.

Segundo Claudia Perdigão, essa dificuldade de projeção está relacionada, em grande medida, às mudanças aceleradas provocadas pelas novas tecnologias.

“Esse cenário de dúvida que recai sobre uma parcela muito grande dos trabalhadores brasileiros acaba sendo explicado, sobretudo, por essas inovações tecnológicas, que trazem preocupação com relação à adaptação do trabalho a essas tecnologias”, avalia.