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Economia

Percepção sobre economia piora e pessimismo cresce entre brasileiros, aponta Datafolha

Pesquisa mostra aumento dos que avaliam deterioração da atividade e esperam alta do desemprego; avaliação do governo Lula permanece estável
Por O Correio de Hoje
11/03/2026 | 10:27

A percepção dos brasileiros sobre a situação econômica do país piorou nos últimos meses e interrompeu parcialmente a melhora observada no fim de 2025, segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha. O levantamento indica aumento do pessimismo tanto em relação à economia nacional quanto à condição financeira das famílias e ao mercado de trabalho.

A parcela dos entrevistados que afirma que a economia piorou subiu de 41% em dezembro de 2025 para 46% em março deste ano. Já o grupo que avalia que houve melhora caiu de 29% para 24% no mesmo período.

Haddad
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad - Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

O resultado coloca o indicador em nível intermediário entre o melhor momento da gestão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad — quando o índice de percepção negativa chegou a 35% em pesquisas de 2023 — e o pico de 55% registrado em abril de 2025. Haddad deixará o comando do Ministério da Fazenda na próxima semana para disputar o governo de São Paulo.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios do país entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Os dados mostram deterioração nas expectativas para os próximos meses. Atualmente, 35% dos entrevistados acreditam que a economia vai piorar — ante 21% em dezembro. Em julho do ano passado, esse percentual havia atingido 45%.

Já a expectativa de melhora caiu de 46% no fim de 2025 para 30% na pesquisa mais recente.

O otimismo é maior entre pessoas com renda de até dois salários mínimos (33%) e moradores do Nordeste (36%). O índice também é superior entre pretos (32%) e pardos (31%) do que entre brancos (26%).

Diferenças aparecem também no recorte religioso e político. Entre católicos, 33% esperam melhora da economia, contra 23% entre evangélicos. O otimismo é predominante entre potenciais eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 51% projetando melhora.

Entre eleitores do senador Flávio Bolsonaro, apenas 14% acreditam em avanço da economia. O índice também é baixo entre apoiadores de Romeu Zema (16%) e Ratinho Junior (17%).

Segundo os pesquisadores, a piora da percepção econômica é mais acentuada do que a variação na avaliação do governo, sugerindo que o descontentamento está mais relacionado ao ambiente econômico do que à avaliação política da gestão federal.

A aprovação do governo Lula permaneceu praticamente estável no período. A avaliação positiva ficou em 32% entre dezembro de 2025 e março de 2026. Já a avaliação negativa subiu de 37% para 40%, variação dentro da margem de erro.

O início de 2026 foi marcado por sinais de desaceleração da economia brasileira, juros elevados e aumento do endividamento de famílias e empresas. No cenário externo, a escalada do conflito envolvendo o Irã também elevou o nível de incerteza global.

Apesar disso, indicadores como renda média e inflação apresentaram melhora recente.

O levantamento aponta também piora na percepção sobre a situação financeira pessoal. O percentual dos entrevistados que afirmam que sua condição econômica piorou subiu de 26% para 33%.

Por outro lado, aqueles que dizem ter melhorado financeiramente caíram de 36% para 30%.

O pessimismo em relação ao futuro pessoal também aumentou. A parcela de entrevistados pessimistas passou de 10% em dezembro para 14% em março. Já os otimistas recuaram de 60% para 51%, embora ainda sejam maioria.

A expectativa de aumento do desemprego também avançou. Atualmente, 48% dos entrevistados acreditam que a taxa vai subir nos próximos meses, ante 42% no levantamento anterior, realizado em junho de 2025.

Esse é o maior patamar nominal do atual mandato presidencial, embora estatisticamente próximo dos 46% registrados em setembro de 2023 e março de 2024.

Por outro lado, apenas 21% acreditam que o desemprego vai cair — o menor nível do atual governo.

Dados divulgados na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de desocupação no trimestre encerrado em janeiro de 2026 ficou em 5,4%, repetindo o patamar observado no trimestre encerrado em outubro — o menor da série histórica comparável.

Mesmo com o mercado de trabalho ainda considerado forte por analistas do setor privado, há expectativa de leve alta do desemprego ao longo do ano.

O temor de aumento da desocupação é maior entre pessoas com renda superior a dez salários mínimos (59%) do que entre os que recebem até dois mínimos (46%). O índice também é mais elevado entre evangélicos (57%) do que entre católicos (45%).

Entre grupos específicos, destacam-se empresários (64%), estudantes (52%) e eleitores de Flávio Bolsonaro (65%), segmentos em que a expectativa de alta do desemprego aparece com mais intensidade.