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Música

Novo álbum revela outra Olivia Rodrigo

Cantora norte-americana revisita experiências amorosas sob uma perspectiva mais íntima em disco que será lançado no dia 12
Por O Correio de Hoje
03/06/2026 | 12:46

A cantora Olivia Rodrigo, um dos principais nomes da música pop surgidos nesta década, prepara o lançamento de seu terceiro álbum de estúdio, You Seem Pretty Sad For a Girl So in Love, previsto para chegar às plataformas em 12 de junho.

Após consolidar uma carreira baseada em composições confessionais e canções marcadas por sentimentos intensos, a artista de 23 anos apresenta agora um trabalho que acompanha, em ordem cronológica, o desenvolvimento e o fim de um relacionamento amoroso.

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Olivia Rodrigo lança álbum sobre amor, término e autoconhecimento em junho - Foto: Reprodução

Conhecida inicialmente por sua trajetória como atriz do Disney Channel, Rodrigo alcançou projeção internacional com o álbum Sour e ampliou sua base de fãs com Guts. Os dois discos foram construídos a partir de experiências pessoais transformadas em músicas que abordam desilusões, frustrações e conflitos emocionais, alternando entre baladas e faixas influenciadas pelo pop-punk.

No novo projeto, a cantora busca retratar diferentes etapas de uma relação afetiva. As músicas percorrem desde o entusiasmo dos primeiros encontros e a intensidade da paixão até as dúvidas, inseguranças, descobertas desconfortáveis e a aceitação do término.

Segundo Rodrigo, a ideia inicial era escrever sobre um momento de felicidade amorosa sem perder a profundidade emocional que caracteriza sua obra.

“Sendo alguém muito conhecida por escrever músicas de término e por ser raivosa e triste”, disse ela, “eu queria provar a mim mesma que não precisava estar na miséria para escrever uma música de que gostasse”.

Entre as influências que ajudaram a moldar o álbum, a cantora cita o livro Paixão Simples, da escritora Annie Ernaux, e a série Sex and the City.

“Fiquei muito inspirada por todas as maneiras pelas quais o amor te deixa louca e infeliz”, afirmou.

Durante entrevista aos jornalistas Jon Caramanica e Joe Coscarelli, do The New York Times, ela explicou que, pela primeira vez, um álbum seu foi construído praticamente em tempo real, acompanhando a sequência dos acontecimentos que inspiraram as canções.

“Na maior parte, é cronológico, e é a primeira vez que acontece. Eu escrevo músicas para processar meus sentimentos, então, todo dia, quando chego e me sento ao piano ou vou para o estúdio, é tipo: ‘O que está queimando dentro de mim para ser dito agora?’”, declarou.

A cantora contou que imaginava criar um disco formado exclusivamente por canções de amor, mas percebeu que sentimentos mais difíceis acabaram se impondo durante o processo criativo.

“Eu sempre tive curiosidade em tentar extrair esses sentimentos mais deprimentes dessas canções de amor. Inicialmente pensei que o disco seria exatamente isso, apenas canções de amor, mas tentando injetar alguma tristeza nelas. E então, obviamente, a tristeza de uma forma real ou mais completa acabou se infiltrando no final”, disse.

As referências à série Sex and the City aparecem de forma direta em algumas faixas. Ao comentar a música Maggots for Brains, Rodrigo revelou que uma cena da personagem Miranda serviu de inspiração para parte da letra.

“É daquela cena em que a Miranda está voltando com o Steve e diz: ‘Sempre que algo engraçado acontece, eu quero te contar’, e essa é uma das letras no segundo verso. Essa é uma das minhas músicas favoritas do disco.”

O trabalho também apresenta forte influência do rock alternativo e da new wave. Rodrigo afirmou que buscou uma abordagem menos convencional para incorporar esses elementos ao álbum.

“Eu amo rock e tenho uma reverência enorme pelo gênero, é basicamente tudo o que eu escuto. Mas acho que, ao começar o projeto, não parecia empolgante para mim fazer o rock no sentido tradicional. Foi de um jeito mais sutil, e isso foi mais instigante.”

A aproximação com esse universo musical foi reforçada após sua participação no festival Glastonbury Festival ao lado de Robert Smith, vocalista da banda The Cure.

“Eu sempre fui fã do The Cure, mas desde que o conheci e pude passar um tempo com ele, voltei e ouvi todas aquelas bandas de new wave”, afirmou.

Uma das músicas centrais do disco é justamente The Cure, descrita pela cantora como uma espécie de manifesto do álbum. Na canção, ela aborda expectativas criadas em torno do sucesso profissional e dos relacionamentos amorosos, além do processo de autoconhecimento provocado pela intimidade.

“Por muito tempo, quando era mais jovem, eu estava sempre correndo atrás de algo. Pensava: ‘Ah, se eu alcançar tal meta na minha carreira, serei mais feliz’; ‘se eu tiver esse cara e ele me amar do jeito que sempre achei que amaria, vou me sentir melhor comigo mesma’.”

Com o tempo, segundo Rodrigo, veio a compreensão de que questões pessoais não podem ser resolvidas por outra pessoa.

“Também acho que se apaixonar, na verdade, deixa esses problemas ainda mais claros. Você se conhece de forma tão profunda e íntima ao se apaixonar pelas pessoas, ao ficar vulnerável, expor suas falhas e cometer erros.”

A artista afirmou que viver um relacionamento sério a levou a enxergar aspectos de si mesma que antes passavam despercebidos.

“Eu estava em um relacionamento real e íntimo pela primeira vez e pensei: ‘Nossa, isso está servindo de espelho para mim e estou vendo coisas de que não gosto em mim mesma’. Foi uma percepção difícil, e isso está embutido em The Cure.”

Ao analisar sua trajetória, Rodrigo também refletiu sobre o impacto do sucesso repentino alcançado ainda na adolescência. Ela relembrou o período em que Sour se transformou em um fenômeno global e as dúvidas que surgiram antes do lançamento de Guts.

“Sour foi uma loucura. Na época, eu não tinha dimensão do quão insano foi. E eu tinha 17 anos quando tudo aconteceu. Foi muita pressão.”

Apesar das inseguranças daquele período, a cantora afirma ter orgulho dos dois primeiros discos.

“Acho que All-American Bitch é a minha música favorita entre todas as que já escrevi. Ter um pouco de distanciamento muda a sua perspectiva. Estou muito orgulhosa de ambos os discos. Acho que nunca vou me arrepender de escrever honestamente sobre o momento em que estou na minha vida.”

A artista também falou sobre os efeitos de uma infância marcada pelo trabalho precoce na indústria do entretenimento. Ela afirmou sentir falta de experiências consideradas comuns para a maioria das pessoas.

“Acho que me sinto muito triste por não ter tido uma infância de verdade. Estou totalmente bem, mas sim, é um pouco triste.”

Filha única e educada em casa, Rodrigo descreveu uma criação marcada pela solidão.

“Eu não estudei no ensino médio convencional, não tive um grupo de amigos. Como eu fui filha única educada em casa, foi uma criação muito solitária, e acho que é por isso que escrevi tantas músicas também. Isso me fazia sentir menos sozinha e fazia com que eu me sentisse compreendida.”

Outro tema abordado foi a repercussão das discussões envolvendo influências artísticas e acusações de semelhanças entre algumas de suas músicas e trabalhos de outros artistas.

“Foi um período muito difícil, mas, sei lá, eu sou uma fã, eu amo música, e ninguém pode tirar isso de mim.”