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Trabalho
Na Comissão de Educação, Rafael Motta consegue aprovar nota de repúdio contra descarte de livros raros
O parlamentar destacou que a democracia presume o acesso a diferentes correntes de pensamentos e a ação do presidente da Fundação é um atentado à cultura nacional
Redação
26/06/2021 | 07:00

A Fundação Cultural Palmares (FCP) anunciou que pretende excluir de seu acervo 5.300 livros. Entre eles, um exemplar raro do Dicionário do Folclore Brasileiro do historiador potiguar Câmara Cascudo, alegando o estado de conservação da obra e a inconformidade com a norma culta atual da língua portuguesa como justificativa para o descarte. Segundo a instituição, outras publicações também serão expurgadas por orientação ideológica.

Membro titular da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados, o deputado federal Rafael Motta (PSB-RN) mobilizou os demais integrantes e conseguiu a aprovação de uma moção de repúdio contra o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo. O parlamentar destacou que a democracia presume o acesso a diferentes correntes de pensamentos e a ação do presidente da Fundação é um atentado à cultura nacional.

“A Fundação Palmares foi criada para preservação da cultura e hoje, nessa gestão, faz exatamente o contrário. É papel do Parlamento garantir que a função das instituições seja exercida de acordo com a lei. Os grandes autores ficarão para a história. Já a atuação de Sérgio Camargo será expurgada como um capítulo vergonhoso da história do Brasil”, ressalta Rafael Motta.

Além das obras de Cascudo, a lista de livros contém títulos de Machado de Assis, Monteiro Lobato, Caio Prado Jr, Celso Furtado, Marco Antônio Villa, Karl Marx, Engels, Lênin, Max Weber, Nikolai Gógol, entre muitos outros. “Essa iniciativa da Fundação despreza o valor histórico e cultural dessas obras, desvirtuando o propósito da FCP que é exatamente preservar a história”, complementa o deputado socialista.

De acordo com a Fundação, apenas 478 obras estão dentro da missão institucional da FCP, o que corresponde a menos de 10% do acervo. A proposta de Rafael Motta também é subscrita pelas deputadas Professora Rosa Neide (PT-MT), Professora Marcivânia (PCdoB-AP), Lídice da Mata (PSB-BA) e pelos deputados Danilo Cabral (PSB-PE), Leônidas Cristino (PDT-CE), Pedro Uczai (PT-SC) e Professor Israel (PV-DF).

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