Quase três milênios depois de sua criação, a epopeia “Odisseia”, atribuída ao poeta grego Homero, volta às telas em uma adaptação comandada pelo diretor Christopher Nolan. O filme estreia nos cinemas nesta quinta-feira e marca o primeiro trabalho do cineasta após conquistar os Oscars de Melhor Filme e Melhor Direção por “Oppenheimer” (2023). As primeiras avaliações da imprensa norte-americana classificaram a produção como uma experiência visual “de tirar o fôlego”.
Com orçamento estimado em US$ 250 milhões — cerca de R$ 1,286 bilhão —, a produção figura entre os projetos mais caros já realizados por Nolan. O investimento coloca o longa na disputa pelas grandes bilheterias mundiais, exigindo desempenho semelhante ao das franquias de super-heróis para recuperar os custos de produção. O desafio, porém, não é novidade para o diretor britânico, cujos 12 filmes lançados até agora acumulam aproximadamente US$ 6,6 bilhões em arrecadação mundial.

A história acompanha Odisseu, também conhecido como Ulisses, interpretado por Matt Damon, durante sua longa jornada de retorno para casa após o fim da Guerra de Troia. Pelo caminho, o herói enfrenta monstros mitológicos, criaturas lendárias e a fúria dos deuses, enquanto sua esposa, Penélope, vivida por Anne Hathaway, permanece à espera de seu retorno.
O elenco reúne ainda Tom Holland, no papel de Telêmaco, filho de Odisseu; Zendaya, como a deusa Atena; Robert Pattinson, que interpreta Antínoo, líder dos pretendentes de Penélope; e Lupita Nyong’o, escalada para viver Helena de Troia e Clitemnestra, escolha que gerou debates e críticas desde o anúncio da produção.
Além da escala da produção, o filme também chama atenção pelo aspecto técnico. “A Odisseia” é o primeiro longa-metragem filmado integralmente em película IMAX. Segundo a produção, cada quadro apresenta resolução três vezes superior à das gravações digitais convencionais.
As câmeras utilizadas exigiam recarga de filme a cada dois minutos e meio, e Nolan consumiu cerca de 600 quilômetros de película durante aproximadamente seis meses de filmagens.
A nova adaptação amplia uma tradição iniciada praticamente junto com o nascimento do cinema. O poema de Homero inspirou algumas das primeiras produções da história da sétima arte. Em 1905, o cineasta francês Georges Méliès, considerado um dos pioneiros do cinema de ficção, dirigiu “A Ilha Misteriosa”, inspirado em episódios da narrativa e no qual interpretou o próprio Odisseu.