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Entretenimento

Documentário da Globo reacende paixão pelo pagode dos anos 90 e domina as redes sociais

Série reúne imagens históricas, depoimentos de grandes nomes do gênero e relembra como o pagode se transformou em um fenômeno da música brasileira, além de discutir seu impacto cultural e social
Por O Correio de Hoje
14/07/2026 | 16:51

A série documental “Anos 90: A Explosão do Pagode”, exibida pela Globo e disponível no Globoplay, reacendeu o interesse do público pela fase de maior popularidade do pagode brasileiro. Desde a estreia na televisão aberta, a produção passou a figurar entre os assuntos mais comentados da rede social X, impulsionada pela repercussão das imagens de arquivo e pelos depoimentos de artistas que marcaram uma geração.

Ao longo de três episódios, o documentário reconstrói o caminho percorrido pelo pagode até se transformar em um dos principais fenômenos da música brasileira durante a década de 1990. A narrativa parte das raízes do gênero, destacando a contribuição de artistas como Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra e o grupo Fundo de Quintal, considerados fundamentais para a consolidação do samba que daria origem ao sucesso comercial do pagode.

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Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra e o Fundo de Quintal aparecem como referências - Foto: divulgação

A produção também destaca o papel de empresários e produtores musicais na expansão do movimento, entre eles Luizão, da Chic Show, e William, da Zimbabwe, apontados como personagens importantes na popularização do gênero nas rádios, nos bailes e na televisão. Grande parte da repercussão, porém, veio da recuperação de imagens históricas dos programas de auditório que dominaram a TV brasileira nos anos 1990. O documentário mostra apresentações de grupos em atrações comandadas por Xuxa, Gugu Liberato, Hebe Camargo e Faustão, período em que o pagode passou a ocupar espaço constante na programação das emissoras.

A série reúne ainda depoimentos de artistas que se tornaram ídolos naquele período, como Chrigor, ex-vocalista do Exaltasamba; Salgadinho, do Katinguelê; Netinho, do Negritude Júnior; e Belo, em seus primeiros anos como vocalista do Soweto. As entrevistas relembram momentos marcantes da carreira dos grupos, incluindo apresentações televisivas, mudanças na estética dos artistas e a intensa disputa por figurinos, coreografias e efeitos visuais nos shows.

Outro aspecto abordado pelo documentário é o impacto social do movimento. A produção destaca como o sucesso do pagode contribuiu para ampliar a representatividade de artistas negros na televisão brasileira. Em um dos depoimentos, Thiaguinho afirma que passou a enxergar uma imagem positiva de si mesmo ao assistir aos cantores que admirava ocupando espaço na mídia nacional.

Ao mesmo tempo, a série também abre espaço para reflexões sobre aspectos presentes nas letras da época, reconhecendo que parte do repertório reproduzia comportamentos considerados machistas sob a perspectiva atual.

Entre as ausências percebidas pelo público está Luiz Carlos, vocalista do Raça Negra, grupo responsável por sucessos como “Cheia de Manias”. O cantor não participa da produção, embora sua banda seja considerada uma das mais influentes do período.

Dirigida por Emilio Domingos e Rafael Boucinha, com roteiro de Raul Perez, a série combina imagens raras, entrevistas e contextualização histórica para mostrar como o pagode deixou de ocupar apenas as rodas de samba e se transformou em um dos maiores fenômenos da cultura pop brasileira dos anos 1990.