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Após câncer
Morte de funcionária faz Fátima Bernardes chorar no dia de retorno ao Encontro
A titular do programa voltou à Globo após ficar um mês afastada para tratar um câncer de útero do tipo endométrico
Notícias da TV
04/01/2021 | 16:48

Fátima Bernardes retornou ao Encontro na manhã desta segunda-feira 4 e desabafou sobre a morte de uma funcionária, que não se recuperou da Covid-19. Arrasada pela perda, a apresentadora chorou muito e chegou a ficar sem fôlego. “Uma pessoa muito querida, que trabalhou comigo por 30 anos”, contou a jornalista.

A titular do programa voltou à Globo após ficar um mês afastada para tratar um câncer de útero do tipo endométrico. Depois de receber uma homenagem em formato de poesia de Bráulio Bessa, a titular do programa não conseguiu segurar a emoção, como está acostumada.

“Eu notei outra coisa que mudou, tô mais chorona. Eu sempre me seguro mais. Enquanto ele tava falando, eu lembrei de uma coisa que eu pensei muito durante esse período”, começou ela.

“Além de ter essa sensação de que você tá tendo algo que outras pessoas não têm, que é a chance da cura –eu não ia falar nisso, porque eu sabia que ia chorar, mas como já chorei–, eu fiquei muito angustiada com todas as notícias da Covid-19, porque você acaba fazendo uma cirurgia e acaba ficando com a imunidade mais baixa. O medo dessa doença fica um pouco maior”, avaliou.

“Olhar a quantidade de pessoas morrendo por conta dessa doença, e as outras com câncer que não tão conseguindo ter atendimento porque tão com medo de irem até o hospital, adiando exame, me deixou angustiada”, disse Fátima, sobre o isolamento necessário para evitar o contágio durante a crise sanitária.

Sem revelar o nome da funcionária inicialmente, a ex-âncora do Jornal Nacional foi às lágrimas. “Durante esse período, nesse mês, eu tive a perda de uma pessoa muito querida, que trabalhou comigo por 30 anos. Ela tinha enfrentado um câncer de pulmão, e olha, ela tinha plano de saúde, tinha tudo, mas não adianta, gente”, relatou.

“Ela não andava de transporte público. Como ela se contaminou, a gente não sabe. Pode ter sido um pacotinho, um pacote de pão que pegou no mercado. Olha, ela era muito cuidadosa”, ressaltou a namorada de Túlio Gadêlha.

“Ela sempre chegava em casa muito cedo, e eu dizia que não precisava, porque eu tomo café aqui [na Globo], mas ela fazia questão de fazer um café de coador pra eu tomar antes de sair. E hoje fez muita falta esse café”, relembrou Fátima, fazendo uma pausa pra respirar fundo.

“Uma pessoa que convive com você por 30 anos, que tá bem, que teve uma doença há sete anos, mas foi curada. Ela não tava com outra doença em decorrência do câncer, e chegar outra doença e levar ela assim. [A pessoa] não fica um mês internada, vai pra casa com balão de oxigênio, e depois volta a internar e em dois dias a pessoa morre”, lamentou.

“Alice, onde quer que você esteja… Isso, acho que todo esse período, essas perdas assim com a dela, quantas famílias [não sofreram]? Isso me angustiou muito. Foi muito difícil você ver quantas pessoas tão sofrendo sem necessidade”, constatou a jornalista. “O que eu queria dizer pra ela e pra toda família [dela] eu já disse”, completou Bernardes.

“Quando o Bráulio fala em recomeço, não tenho como não pensar que muitas pessoas não vão ter a chance de recomeçar assim como eu. Nessas horas eu penso que eu não tenho direito de estar derramando lágrimas, lamentando, eu tenho que estar feliz. Eu não tenho vocação tristeza, eu tenho vocação pra construir coisas boas”, finalizou.

De volta ao trabalho

Fátima Bernardes voltou à apresentação do Encontro na manhã desta segunda-feira 4, após ficar um mês afastada para tratar um câncer de útero. A jornalista fez um desabafo sobre como ainda está se adaptando após o baque que sofreu. “Sinto que ainda estou me recuperando do soco”, relatou.

Aos 58 anos, Fátima tinha anunciado seu afastamento da Globo no dia 2 de dezembro do ano passado. Na manhã de hoje, ela revelou que o câncer de útero que tratou foi do tipo endométrico, mais raro e que acomete mulheres geralmente acima dos 60 anos.

“É com uma alegria enorme que eu dou bom-dia pra você aí do outro lado da telinha, dou bom-dia pro meu parceiro de todas as horas, André Curvello, que bom reencontrar você”, começou Fátima. “Muito bom dia, que saudade”, respondeu o colega.

“Bom, queria agradecer muito a minha parceira Patrícia Poeta por todo o carinho, por toda a energia, toda a alegria, todo o talento que ela usou aqui, muito obrigada”, agradeceu a titular sobre a apresentadora do É de Casa que a cobriu durante a licença.

Em seguida, a ex-âncora do Jornal Nacional cometeu sua primeira gafe do ano na apresentação. “Eu e você e o meu parceiro vamos juntos até às 11h45… Ih, até o meio-dia! Foi bom que eu já voltei com um meme, né, gente? Já voltei dando o horário do final do programa errado. A gente vai juntos até o meio-dia”, brincou Fátima.

Curvello, então, perguntou à apresentadora como estava sendo voltar. “Olha, tá fazendo um mês, né? Porque eu tô com uma sensação de reestreia, talvez nem seja tanto tempo assim, já tem um mês da cirurgia. Mas eu lembro muito da sensação do programa do dia 2 de dezembro, que eu já sabia que teria que ir ao médico porque já sabia que alguma coisa tinha dado errado. Então eu já fiz o programa de um jeito internamente diferente”, começou ela.

“E hoje é completamente diferente. Me sinto renovada, com uma expectativa muito boa. É curioso porque eu ouvi muitas histórias ao longo do programa, histórias de recomeço, de pessoas que venceram o câncer. E eu sempre imaginei como seria, como a pessoa se sente. A sensação é um soco, sensação de que você não sabe onde vai cair. Mas, no meu caso, eu já pensava em como eu ia me levantar rapidamente”, relembrou.

“Não dei prazo, mas da notícia à cirurgia foram quatro dias, graças a Deus eu tenho a condição de fazer os exames, tenho uma enorme gratidão por isso. Sem deixar de pensar na angústia das pessoas que não conseguem fazer isso com tanta rapidez, se em quatro dias eu já fiquei angustiada, doida pra me livrar, é tão duro você imaginar a saúde como tá no nosso país, vendo as pessoas que tão aí lutando pelo direito de serem tratadas, né”, lamentou ela.

“Eu sou uma pessoa que fico me cobrando sobre tudo na minha vida. Desde que eu fiz a cirurgia deu tudo certo, mas eu fiquei pensando no que que eu mudei, no que essa notícia me transformou, porque todo mundo me conta histórias de transformações muito intensas. Eu ainda não encontrei a minha grande mudança”, lamentou Fátima.

“Não fiquei mais cuidadosa, eu sempre me cuidei, sempre fui ansiosa e continuo ansiosa, sempre tive a certeza de que a vida é frágil e rápida, sempre apostei que cada minuto importa”, comparou.

“Talvez a transformação pra mim vá ser justamente o contrário. Desde criança eu lembro da minha mãe falar: ‘o mundo não vai acabar amanhã’, porque eu sempre queria fazer tudo no mesmo dia. Talvez [a minha transformação] seja perceber que parar, contemplar, ficar um pouco à toa —que foi o que eu mais fiz nesse período— também é uma forma de viver”, constatou.

“Também é possível e pode te trazer coisas boas. Na marra, eu tive que aprender a ficar quieta. Fiquei tão quieta que em um mês tô aqui de volta”, brincou a apresentadora do Encontro com Fátima Bernardes, que recebeu apoio de vários colegas, como Ana Maria Braga e Fausto Silva.

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