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Política

Mineiro aciona justiça contra influenciador do MBL após “provocações e violência”

Deputado diz que medidas legais visam responsabilizar ações provocativas e violentas, além de investigar financiamento de grupos políticos nas redes sociais
Alexandra Bernardo e Douglas Lemos
20/03/2024 | 08:11

“Em decorrência do acontecido, estamos abrindo três processos judiciais: na área criminal, na área eleitoral e na área cível”, afirmou o deputado federal Fernando Mineiro (PT), ao anunciar a instauração de três processos judiciais contra Matheus Faustino, influenciador do Movimento Brasil Livre (MBL), após confusão ocorrida na sexta-feira 15, no Aeroporto Internacional Aluízio Alves. O parlamentar também pedirá a quebra do sigilo bancário de Faustino, “para saber quem está financiando esse tipo de ação” e medidas protetivas e denunciar as pessoas que estão promovendo ameaças contra ele via redes sociais.

“É importante entender quem financia esse e outros grupos defensores da extrema direita, tanto no Rio Grande do Norte quanto no Brasil, para que a gente saiba e entenda quais interesses estão por trás dessas abordagens provocativas, violentas e que utilizam do ódio para buscar visibilidade nas redes sociais. Qual o objetivo de enfatizar essa polarização usando de provocações? É um comportamento antipetista organizado, que defende pautas conservadoras e muito bem financiado, que certamente está dando algum tipo de lucro a quem busca atacar o PT e políticos de esquerda”, explicou ao AGORA RN nesta terça.

Mineiro: “É importante entender quem financia esse e outros grupos defensores da extrema direita, no RN e no Brasil”. Foto: Reprodução
Mineiro: “É importante entender quem financia esse e outros grupos defensores da extrema direita, no RN e no Brasil”. Foto: Reprodução

Mineiro disse que após o episódio, passou a receber ameaças e represálias constantes, principalmente por meio da internet, mas, “não será isso que vai me fazer recuar e parar o meu trabalho enquanto parlamentar representante do Rio Grande do Norte no Congresso. Quanto ao Boletim de Ocorrência que ele disse ter feito, estou disponível para responder eventuais questionamentos às autoridades. Tenho certeza de que, no ocorrido, ele tem culpa e espero que seja investigado e punido pelas ações que estou acionando nas justiças eleitoral, criminal e cível”.

O parlamentar disse que o caso em que está envolvido é essencial para que outros políticos possam ficar atentos para evitar que outros episódios semelhantes aconteçam durante o pleito eleitoral. “Esta não foi a primeira abordagem de tom provocativo, desse e outros grupos, com políticos petistas e imagino que não tenha sido a última. O mesmo grupo fez tumultos e provocações aqui na cidade com o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e as deputadas estaduais Divaneide Basílio e Isolda Dantas, que acionaram a polícia legislativa já que estavam na Assembleia Estadual”.

E relacionou a ocorrência de situações semelhantes com a intensificação da polarização política no país. “Desde então, passamos por situações e ataques semelhantes. Mas isso não vai me fazer parar. Não vamos recuar nossa forma de fazer política, de visitar as cidades com nosso trabalho. O que espero é que essas abordagens provocativas e por vezes violentas cessem. Assim como estou aberto ao diálogo, tenho certeza de que demais parlamentares e representantes do PT também estão, desde que sejam abordagens respeitosas, sem usar de provocações e crimes como injúria, calúnia e difamação”, afirmou.

Girão

Além disso, Mineiro ainda abordou o fato de seu colega de bancada, o deputado federal General Girão (PL), ter dito que entraria com denúncia-crime contra ele no Ministério Público e uma representação na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Federal, por agressão contra uma das pessoas que acompanhava Matheus Faustino. Para ele, caso Girão cumpra o prometido, será bom para esclarecer o que realmente ocorreu.

“Será uma oportunidade para provar que, o que o elemento e sua equipe fizeram não foram simples questionamentos a uma figura pública; foram constrangimentos e assédios como está no vídeo que ele mesmo divulgou. Será uma oportunidade para desmontar a farsa que está montada por ele e sua equipe, que vem perseguindo petistas e se fazendo de vítima. Não é a primeira vez que o mesmo grupo nos persegue, tentando nos constranger e amedrontar”, afirmou.

Questionamentos

“Algumas perguntas fundamentais a serem respondidas: quem financia esse grupo e suas ações no RN e no Brasil? Quem paga as equipes de filmagem que o acompanha? Quem paga as viagens Brasil afora? Quem paga os equipamentos e os custos de divulgação nas plataformas? Esse grupo e vários outros que agem dessa mesma forma Brasil afora não podem permanecer impunes com essa atuação criminosa, baseada em notícias falsas e informações distorcidas. Espero que sejam devidamente responsabilizados e recebam as punições cabíveis”, finalizou.

Processos

Segundo Fernando Mineiro, “a ação na justiça eleitoral, (será) por ele usar dessas provocações como tática de pré-campanha, já que se coloca em suas redes sociais como pré-candidato. Essa forma de abordagem é usada nacionalmente, com o objetivo de crescer em cima do ódio, usando de provocação e constrangimento para publicar as reações das pessoas nas redes sociais e conseguir visibilidade a partir da polarização política.

Já na área criminal, “estamos fazendo a denúncia de perseguição, já que ele costuma repetir essa mesma forma de agir com outras pessoas públicas da política, especialmente petistas. Na justiça cível, vamos cobrar que ele responda pelos crimes de assédio, injúria e difamação. Também vamos solicitar a quebra do sigilo bancário para saber quem está financiando esse tipo de ação, tendo em vista que existem processos abertos em outros estados devido às agressões e crimes cometidos por esse mesmo elemento contra outras pessoas”, explicou o parlamentar.

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