A mãe de Juliana Soares, a mulher de 35 anos que foi brutalmente espancada pelo ex-namorado Igor Cabral dentro de um elevador em Natal, afirmou que nunca teve uma boa impressão do acusado. Em entrevista exclusiva à jornalista Anna Ruth Dantas, na Band RN, Débora Garcia disse que só o viu uma vez e que não tinha convivência com ele.
“Eu vi ele uma vez, ano passado, nas férias. Eu vi uma vez só. Ela me apresentou, eu falei ‘oi, tudo bem?’. Foi a única palavra que eu falei com ele. Eu não tinha convivência nenhuma com ele. Eu nunca gostei dele, nem por foto, nem nesse ‘oi, tudo bem’. Mas era uma coisa minha, não sei se intuição de mãe”, declarou.

Débora contou que a filha sempre evitou compartilhar problemas do relacionamento para protegê-la. “Ela me poupa o máximo que pode. Eu não sabia”, disse a mãe.
O crime, ocorrido no dia 26 de julho, foi registrado pelas câmeras de segurança do prédio onde Juliana mora. As imagens mostram Igor Cabral desferindo 61 socos na vítima em 38 segundos, dentro do elevador. O acusado está preso preventivamente e já é réu na Justiça.
A mãe de Juliana relatou como soube da agressão enquanto estava em Curitiba (PR). Segundo ela, a notícia chegou por meio de uma amiga, madrinha de Juliana, que havia sido informada pela síndica do prédio. “Ela me disse que não tinha uma notícia boa para me dar. Eu não lembro exatamente as palavras porque entrei em pânico. Entreguei o celular para o meu marido, que conduziu a ligação”, contou.
A mãe disse que a filha, mesmo no momento de terror, tentou poupá-la. “No meio de todo esse terror, ela ainda quis me proteger. Falou que só ia me contar quando tivesse melhor”, relatou.
Débora afirmou que não tinha dinheiro para viajar imediatamente e contou com ajuda da amiga para conseguir ir a Natal. Ao chegar, já havia visto o vídeo da agressão. “Ver aquilo ali foi o pior pesadelo que uma pessoa pode ter na vida”, disse.
Juliana passou por uma cirurgia considerada difícil pelos médicos, devido à gravidade das fraturas. Segundo Débora, a filha vem se recuperando bem e já está em dieta pastosa. Ela recebe fisioterapia em casa e tratamentos complementares.
A mãe destacou a importância da rede de apoio formada por amigas da vítima. “As meninas cercam ela de carinho, até de brincadeiras, para ela rir. Eu sou muito agradecida a essas meninas”, afirmou.
Débora disse que tem dormido ao lado da filha para acompanhar a recuperação e que ainda sofre ao lembrar das imagens. “Eu fico olhando para ela e pensando lá naquela imagem, naqueles vídeos, e agradecendo porque Deus salvou ela”, disse.
Manter o caso vivo na imprensa, pede a mãe de Juliana

Um dos pontos que Juliana faz questão de reforçar, segundo a mãe, é que o caso não desapareça do noticiário. “Ela fala sobre o não deixar apagar. Porque uma tragédia acontece direto e daqui a pouco some. O que ela quer lutar no momento é que isso não suma. Ela quer dar voz para outras mulheres, para que não passem por isso”, contou Débora.
Para a mãe, a grande repercussão nacional só foi possível por causa das imagens do elevador. “Se não fosse a câmera, seria mais um caso. Tomou a proporção graças à inteligência dela no momento de ficar dentro do elevador. Você imagina se ela tivesse ido para dentro do apartamento?”, disse.
Débora relatou que outras mulheres já se sentiram encorajadas a denunciar após o caso da filha. “Essa semana teve uma mulher que sofria violência há 15 anos. Depois do caso de Juliana, ela finalmente denunciou e ele foi preso. A gente quer lutar por isso”, afirmou.
A mãe de Juliana pediu que o processo siga de forma rigorosa. “Eu imploro que a justiça seja feita. Nem minha filha, nem nenhuma mulher, nenhum ser humano merece passar por isso. A condenação seja feita de acordo com o que a lei manda”, disse.
Ela afirmou que não sabe ainda como será sua vida quando precisar voltar a Curitiba, mas reforçou que acredita no futuro da filha. “Eu acredito que minha filha vai ser feliz. Ela já ganhou bolsa para estudar e quer ajudar outras mulheres. Esse é o foco dela agora”, concluiu.
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