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Judiciário potiguar já gastou R$ 11,8 mi com auxílio moradia

Na época em que foi aprovado o auxílio o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Cláudio Santos, alegou que apenas estava cumprindo determinação do STF
15/09/2015 | 17:04

Neste dia 15 de outubro completa exatamente um ano da publicação da Resolução 56/2014, do TJRN, que regulamentou o pagamento do Auxílio-Moradia para os juízes e desembargadores potiguares. Quase todos residem em Natal, tem casa própria, e em alguns casos o casal de juízes mora na mesma residência, própria, e recebem o “subsídio”.

Na avaliação do Sindicato dos Servidores do Judiciário do RN (Sisjern) esse é um flagrante desrespeito à resolução 199/2014 do CNJ (Art. 3º O magistrado não terá direito ao pagamento da ajuda de custo para moradia quando: IV – perceber, ou pessoa com quem resida, vantagem da mesma natureza de qualquer órgão da administração pública, salvo se o cônjuge ou companheiro(a) mantiver residência em outra localidade).

Divisão de precatórios do tj pagou mais de r$ 12 milhões até julho

Na tentativa de adaptar as contas do TJRN aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o TJRN arrochou salários dos servidores por meio de projetos enviados à Assembleia Legislativa, aprovados e depois sancionados pelo Executivo.

Enquanto isso, o gasto com Auxílio-Moradia foi de R$ 11,8 milhões desde a sua regulamentação. Na época em que foi aprovado o auxílio o presidente do TJ, Cláudio Santos, alegou como justificativa que apenas estava cumprindo determinação do STF, já que uma liminar do ministro Luiz Fux garante o pagamento do auxílio em todo o país.

O impacto nacional anual estimado nos cofres públicos do auxílio a juízes, defensores, procuradores e promotores é de 1,5 bilhão de reais.

Movimento contrário

Contrária à concessão do benefício, a Advocacia-Geral da União (AGU) move ações para que a Corte reconsidere a decisão. O ministro da AGU Luís Inácio Adams afirmou que o pagamento do auxílio a juízes e promotores é ilegal e precisa passar por uma regulamentação no Congresso Nacional.

Para Gomes, apelar ao auxílio-moradia no caso de juízes e promotores que tenham residência na comarca em que trabalham é uma “imoralidade”. Ele foi juiz durante 15 anos e afirma que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) adotam uma “postura corporativista”.

“Do ponto de vista legal, tudo foi feito dentro da formalidade, mas a questão agora é ética. Cada organização quer tirar proveito do erário público”, diz.

Os salários dos juízes brasileiros ultrapassam a média europeia, que é de 8 mil reais para a carreira inicial e de 16 mil reais para a final. No Brasil, juízes federais em início de carreira, por exemplo, recebem cerca de 20 mil reais.

No início deste mês de setembro, o ministro Gilmar Mendes falou expressamente contra a proposta e mostrou desconforto com o fato de a liminar de Fux não ter sido julgada até agora. Mendes relatou que manteve reuniões com servidores do TSE e ouviu cobranças severas. De acordo com o ministro, os servidores afirmam que o Supremo aumentou os rendimentos dos magistrados com o pagamento do auxílio-moradia, mas pouco fizeram pelo funcionalismo. “Estamos pagando um preço altíssimo por conta desse auxílio e estamos numa posição muito frágil do ponto de vista jurídico e moral” – concluiu Mendes.