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Copa do Mundo

Copa de 2026 inaugura nova era com 48 seleções e amplia debate sobre formato do Mundial

Expansão aumenta alcance global e receitas da Fifa, mas levanta questionamentos sobre equilíbrio esportivo e duração do torneio
Por O Correio de Hoje
10/06/2026 | 13:12

A Copa do Mundo de 2026 marcará a maior transformação da história do torneio desde a criação do formato moderno. Pela primeira vez, a competição reunirá 48 seleções, ante as 32 que disputaram as últimas sete edições. A mudança amplia o alcance geográfico do principal evento do futebol mundial, mas também inaugura um debate sobre os limites entre expansão comercial e preservação da essência esportiva do torneio.

Sob a ótica institucional, a decisão da Fifa responde a uma realidade difícil de ignorar. A globalização do futebol acelerou a circulação de talentos, reduziu distâncias competitivas e aumentou a ambição de países que antes estavam distantes do cenário internacional. Hoje, seleções de diferentes continentes contam com atletas atuando nas principais ligas do mundo, tornando natural a pressão por mais vagas e maior representatividade na competição.

Curaçao
Seleção de Curaçao, por exemplo, é uma incógnita que disputa 1ª copa - Foto: Reprodução

A ampliação também atende a interesses econômicos. A Copa do Mundo tornou-se uma das propriedades esportivas mais valiosas do planeta, movimentando bilhões de dólares em direitos de transmissão, patrocínios, ingressos e licenciamento. Com mais seleções e mais jogos, a Fifa amplia seu potencial de receitas e reforça a presença global do torneio. Para o ciclo atual, a entidade projeta arrecadação próxima de US$ 9 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 50 bilhões.

O novo modelo, entretanto, altera profundamente a dinâmica da competição. O Mundial de 2026 terá 104 partidas distribuídas ao longo de 39 dias, contra 64 jogos em aproximadamente um mês no formato anterior. Apenas a fase de grupos contará com 72 confrontos, número superior ao total de partidas de uma Copa tradicional. Na prática, quando a edição de 2022 teria terminado, ainda restariam mais nove dias de disputa pela frente.

O aumento do calendário cria dúvidas sobre a capacidade do público de acompanhar o evento com a mesma intensidade observada em edições anteriores. Historicamente, a Copa construiu sua força a partir da percepção de que cada partida era um acontecimento singular. Mesmo confrontos entre seleções de menor expressão atraíam atenção global por fazerem parte de uma competição relativamente curta e concentrada. Com mais de uma centena de jogos, especialistas questionam se essa sensação de exclusividade poderá ser preservada.

As preocupações mais relevantes, porém, estão ligadas ao aspecto esportivo. O novo formato prevê que os dois primeiros colocados de cada grupo avancem diretamente, acompanhados pelos oito melhores terceiros colocados. Isso significa que parte da classificação dependerá de comparações entre equipes que enfrentaram adversários distintos, situação que tende a ampliar o peso do sorteio na definição dos classificados.

Outro ponto de debate é a desigualdade técnica entre os participantes. Embora a evolução do futebol internacional tenha reduzido diferenças históricas, a ampliação das vagas inevitavelmente abrirá espaço para seleções menos experientes em competições de alto nível. Em alguns casos, uma equipe favorita poderá encaminhar sua classificação com uma vitória larga sobre um adversário tecnicamente inferior, criando desequilíbrios difíceis de corrigir ao longo da fase inicial.

A própria estratégia das seleções pode ser afetada. Como três equipes de cada grupo terão chances concretas de avançar, aumenta o incentivo para campanhas mais conservadoras. Em determinados cenários, uma combinação de empates pode ser suficiente para alcançar a fase eliminatória. O risco, segundo críticos do modelo, é a multiplicação de jogos marcados por cautela excessiva e menor busca pela vitória.

A mudança também impõe desafios logísticos sem precedentes. Em 2026, Estados Unidos, México e Canadá dividirão a organização do torneio. Já a edição de 2030 será distribuída entre países da América do Sul, Europa e África. A tendência sugere que futuras Copas dependerão cada vez mais de candidaturas conjuntas, uma vez que poucos países dispõem da infraestrutura necessária para receber um evento com 48 seleções.