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Seleção Brasileira

Ancelotti completa 67 anos durante a Copa e vive maior desafio da carreira na seleção brasileira

Treinador celebra aniversário nos Estados Unidos enquanto busca conduzir o Brasil ao hexacampeonato mundial
Por O Correio de Hoje
10/06/2026 | 13:07

Carlo Ancelotti completa 67 anos nesta quarta-feira 10, em um cenário que sintetiza boa parte de sua trajetória no futebol: cercado por jogadores, expectativas e a disputa de uma Copa do Mundo. O treinador da seleção brasileira celebra a data durante a concentração da equipe nos Estados Unidos, exatamente um ano depois de ter passado o aniversário também trabalhando com o Brasil, então em meio à campanha das Eliminatórias Sul-Americanas.

A coincidência vai além do calendário. Esta é a primeira vez que Ancelotti participa de um Mundial como treinador principal de uma seleção, embora sua relação com a principal competição do futebol seja antiga. Em 1994, aos 35 anos e recém-aposentado dos gramados, integrou a comissão técnica da Itália como auxiliar de Arrigo Sacchi. Naquela edição, disputada nos Estados Unidos, os italianos chegaram à final, mas acabaram derrotados justamente pelo Brasil na decisão realizada em Pasadena.

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Em sua primeira Copa do Mundo como técnico, ele terá festa de aniversário - Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Três décadas depois, o técnico retorna ao país para tentar conduzir a seleção brasileira ao hexacampeonato. A experiência representa mais um capítulo de uma carreira marcada por feitos raros. Ancelotti é o único treinador a conquistar os campeonatos nacionais das cinco principais ligas da Europa — Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha — e também o técnico mais vencedor da história da Liga dos Campeões da Europa, com cinco títulos conquistados entre Milan e Real Madrid. Antes disso, já havia erguido a taça continental duas vezes como jogador.

O currículo, porém, ajuda a explicar apenas parte de sua reputação. Ao longo das últimas décadas, Ancelotti construiu uma imagem associada à gestão de grandes elencos e à habilidade de lidar com estrelas sem recorrer a métodos autoritários. A filosofia se tornou tema de livros e palestras e ganhou notoriedade no futebol europeu. Em “Liderança Tranquila”, publicado em 2016, o treinador detalha os princípios que utiliza para administrar grupos de alto rendimento, defendendo a construção de relações baseadas em confiança e respeito.

A formação dessa visão remonta às origens do italiano. Nascido em Reggiolo, pequena cidade da região da Emília-Romanha, no norte da Itália, Ancelotti cresceu em uma família de agricultores. Durante a infância e a adolescência, dividiu a rotina entre os estudos, o futebol e o trabalho na propriedade rural da família. O treinador costuma afirmar que a experiência no campo foi determinante para moldar características que carrega até hoje, como disciplina, paciência e simplicidade.

A chegada ao Brasil também revelou um lado menos conhecido do técnico multicampeão. Desde que assumiu o comando da seleção, Ancelotti passou a dividir seu tempo entre Vancouver, no Canadá, onde vive com a esposa, e o Rio de Janeiro, onde escolheu morar próximo à sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na Barra da Tijuca. O contato diário com o litoral carioca tornou-se uma das experiências favoritas do treinador, que costuma caminhar na orla logo nas primeiras horas da manhã para evitar o assédio dos torcedores.

A adaptação ao País incluiu ainda um esforço para aprender o idioma. Segundo o professor Roberto Piantino, responsável pelas aulas de português, Ancelotti chegou a realizar até quatro encontros semanais antes de suas primeiras entrevistas coletivas. O objetivo era reduzir a dependência de tradutores e ampliar a comunicação com atletas e jornalistas. Fluente em italiano, espanhol, inglês e francês, o treinador também possui conhecimentos básicos de alemão adquiridos durante sua passagem pelo Bayern de Munique.

Fora do campo, a gastronomia ocupa lugar de destaque em sua rotina. Apaixonado por culinária, Ancelotti costuma cozinhar para amigos e colegas sempre que a agenda permite. No Brasil, tornou-se frequentador de churrascarias e restaurantes italianos, embora mantenha algumas preferências típicas de sua terra natal. Entre elas está a polenta, prato que frequentemente associa às lembranças da infância. Sua principal ressalva à culinária local envolve justamente as massas, que considera mais cozidas do que o ideal. Como a maioria dos italianos, prefere o tradicional preparo “al dente”.

Outro hábito que acompanha o treinador há décadas também voltou aos holofotes recentemente. Imagens de Ancelotti utilizando um dispositivo de aquecimento de tabaco durante um treinamento da seleção repercutiram nas redes sociais. Nos jogos, porém, os inseparáveis chicletes continuam sendo um dos recursos utilizados pelo italiano para lidar com a abstinência da nicotina durante os 90 minutos.

Dentro de campo, os números do primeiro ano à frente da seleção mostram um início de trajetória ainda em construção. Em 12 partidas no comando do Brasil, Ancelotti acumula sete vitórias, dois empates e três derrotas, com aproveitamento de 63,8%. Ao longo do período, convocou 58 jogadores diferentes, enquanto Casemiro foi o único atleta presente em todas as listas divulgadas até agora.

Ao seu lado está um dos personagens mais importantes da atual fase da carreira: o filho Davide Ancelotti. Desde 2016, os dois trabalham juntos e passaram por clubes como Bayern de Munique, Napoli, Everton e Real Madrid. Após uma passagem pelo Botafogo, Davide integrou a comissão técnica da seleção brasileira no início deste ano. A parceria, entretanto, está próxima de ganhar um novo capítulo. Depois da Copa do Mundo, ele assumirá o comando do Lille, da França, em sua primeira experiência como treinador principal.

Nesta quarta-feira 10, porém, a atenção estará voltada para o pai. Entre uma sessão de treinamento e outra, haverá espaço para o tradicional bolo de aniversário na concentração brasileira. Para um treinador acostumado a colecionar troféus, a comemoração acontece em meio ao maior desafio de sua carreira: tentar conduzir a seleção mais vitoriosa da história a mais um título mundial.