Autoridades do Irã e dos Estados Unidos chegaram a um entendimento para ampliar por mais 60 dias o cessar-fogo entre os dois países e avançar nas negociações sobre o programa nuclear iraniano. Apesar do avanço diplomático, o acordo ainda depende da aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
As informações foram divulgadas pelo jornal Axios, que cita dois oficiais americanos e um intermediário das negociações. Segundo a reportagem, os negociadores chegaram a um consenso na terça-feira 26, mas o texto ainda precisa do aval final das lideranças dos dois países.

De acordo com o jornal, representantes iranianos já teriam conseguido aprovação da liderança do país persa, embora Teerã não tenha confirmado oficialmente a informação. Do lado americano, os negociadores afirmaram ter apresentado a proposta a Trump, que pediu alguns dias para analisar os termos do memorando.
O possível acordo surge em meio ao aumento da tensão no Oriente Médio. Mesmo com o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, Irã e Estados Unidos voltaram a trocar ataques nos últimos dias, nos confrontos mais intensos desde o início da trégua.
Segundo fontes ouvidas pelo Axios, o memorando prevê que a navegação no Estreito de Ormuz ocorra “sem restrições”, incluindo a suspensão de cobranças impostas pelo Irã a embarcações que cruzam a região.
O texto também prevê a suspensão do bloqueio naval americano contra navios ligados a portos iranianos.
Caso o acordo seja aprovado por Trump, os dois países deverão usar os próximos 60 dias para aprofundar as negociações sobre o enriquecimento de urânio pelo Irã. Washington acusa Teerã de tentar desenvolver armas nucleares, enquanto o governo iraniano afirma que o programa possui fins civis, voltados para áreas como energia e medicina.
Apesar das tratativas diplomáticas, os confrontos militares continuaram nesta semana. Na quarta-feira 27, os Estados Unidos atacaram uma estação de controle no porto iraniano de Bandar Abbas, alegando que a base era utilizada para lançamento de drones contra instalações americanas na região.
Segundo um oficial americano ouvido pela agência Reuters, a ação foi “puramente defensiva” e teria como objetivo manter o cessar-fogo.
O Irã respondeu nesta quinta-feira 28. De acordo com a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, forças iranianas dispararam contra um petroleiro americano que tentava atravessar o Estreito de Ormuz, obrigando a embarcação a recuar.
A Guarda Revolucionária também afirmou ter atacado bases militares americanas no Oriente Médio, embora não tenha informado em quais países os alvos estavam localizados.