A interrupção e posterior retomada do uso de medicamentos à base de análogos de GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes e também para perda de peso, pode reduzir a eficácia do tratamento. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, com resultados publicados no Journal of Clinical Investigation Insight.
Os chamados “remédios emagrecedores”, como Ozempic e Wegovy, atuam simulando a ação do hormônio GLP-1, que tem papel na regulação do apetite e da produção de insulina. A pesquisa investigou como a alternância no uso dessas substâncias interfere nos resultados ao longo do tempo.

O estudo foi realizado com camundongos e indicou que a eficácia do tratamento está diretamente ligada à regularidade da administração. Animais que tiveram o uso do medicamento interrompido e posteriormente retomado apresentaram menor perda de peso em comparação com aqueles que mantiveram o uso contínuo.
“Iniciar o GLP-1 pode ser uma das decisões que as pessoas precisam discutir e tomar com seu médico sabendo que o uso do medicamento exige um compromisso de longo prazo, e pode não ser a melhor opção para pessoas que têm dificuldade em tomar medicação diariamente ou semanalmente, disse o pesquisador”, afirma o estudo.
De acordo com os cientistas, cerca de metade dos usuários inicia o tratamento com medicamentos dessa classe, mas uma parcela significativa interrompe o uso e depois retorna. Essa prática, segundo a análise, pode comprometer os efeitos esperados.
No experimento, os pesquisadores dividiram os animais em dois grupos. Um deles recebeu semaglutida — princípio ativo presente nesses medicamentos — de forma contínua durante todo o período de observação. O outro grupo teve o tratamento interrompido por algumas semanas e depois retomado.
Os resultados mostraram que os animais submetidos à interrupção recuperaram parte do peso perdido mais rapidamente. Já aqueles que mantiveram o uso contínuo apresentaram redução de peso mais consistente ao longo do tempo.
Além disso, quando o tratamento foi reiniciado após a pausa, os efeitos não atingiram o mesmo nível observado no início. Mesmo após 62 dias de uso contínuo ao final do estudo, o grupo que interrompeu o medicamento permaneceu com cerca de 20% menos perda de peso em comparação ao grupo que não interrompeu.
Os pesquisadores apontam que esse fenômeno pode estar relacionado a adaptações do organismo à medicação. “Os cientistas sugerem motivos podem que levar a essa ‘perda de eficácia’. Entre eles, citam que a perda de peso com esses medicamentos geralmente consiste em 40% de massa magra e 60% de gordura. No entanto, quando se interrompe o medicamento, o indivíduo costuma recuperar o peso, só que quase que exclusivamente gordura. Dessa forma, ao retomar o tratamento depois, a proporção do corpo já é diferente.”
Os análogos de GLP-1 atuam em receptores presentes em diferentes partes do organismo, influenciando tanto o controle glicêmico quanto a sensação de saciedade. Ao reduzir o apetite, esses medicamentos contribuem para menor ingestão calórica e, consequentemente, perda de peso.
Especialistas ressaltam que a interrupção sem orientação médica pode comprometer não apenas os resultados estéticos, mas também o controle metabólico em pacientes com diabetes. Por isso, a decisão de iniciar ou interromper o tratamento deve ser feita com acompanhamento profissional.
Os achados reforçam a importância da adesão contínua ao tratamento para alcançar e manter os resultados esperados. Embora novos estudos ainda sejam necessários, os dados indicam que a consistência no uso dos medicamentos é um fator determinante para a eficácia a longo prazo.