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Empresários em ofensiva contra fim da escala 6×1

Setor produtivo pressiona Congresso para evitar mudanças na jornada e propõe alternativas ao modelo em debate
Por O Correio de Hoje
05/05/2026 | 13:27

Representantes de grandes associações empresariais brasileiras intensificaram a mobilização em Brasília em uma tentativa de barrar propostas que preveem o fim da escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos com um de descanso. A articulação é tratada nos bastidores como uma “última cartada” do setor produtivo para influenciar o debate no Congresso Nacional.

A movimentação ocorre em meio à tramitação de propostas que discutem mudanças na jornada de trabalho no País. O grupo reúne lideranças de entidades ligadas aos setores de comércio e serviços, que têm demonstrado preocupação com os possíveis impactos econômicos das alterações em análise.

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Empresários intensificam articulação em Brasília para barrar o fim da escala 6x1 e defender ajustes na jornada de trabalho Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

De acordo com integrantes das associações, o foco da estratégia é evitar a aprovação de medidas que possam elevar custos operacionais das empresas, especialmente em segmentos que dependem de funcionamento contínuo ao longo da semana. As entidades argumentam que a adoção de novos formatos de jornada, sem mecanismos de compensação, pode comprometer a sustentabilidade de negócios e afetar o nível de emprego.

Nos encontros realizados na capital federal, representantes do setor destacaram a necessidade de maior diálogo com o Legislativo e defenderam a construção de alternativas que considerem as especificidades de cada atividade econômica. A avaliação é que mudanças abruptas podem gerar efeitos negativos tanto para empregadores quanto para trabalhadores.

Além da pressão política, o grupo também discute propostas intermediárias que possam flexibilizar a jornada sem eliminar completamente o modelo 6×1. Entre as possibilidades em debate estão ajustes na carga horária semanal e mecanismos de compensação de horas, buscando equilibrar produtividade e qualidade de vida.

Segundo lideranças empresariais, há o entendimento de que o tema precisa ser tratado de forma ampla, levando em conta diferentes realidades regionais e setoriais. A preocupação é que uma regra única não consiga atender à diversidade do mercado de trabalho brasileiro.

A articulação ganhou força após avanços recentes de propostas no Congresso que tratam da reorganização da jornada de trabalho. Para o setor produtivo, este é um momento decisivo para influenciar o desfecho das discussões.

Nos bastidores, representantes das entidades avaliam que o cenário ainda está em aberto, mas reconhecem que o ambiente político exige intensificação do diálogo com parlamentares. A estratégia inclui reuniões, apresentação de estudos técnicos e mobilização de lideranças para reforçar os argumentos do setor.

A expectativa é que, nas próximas semanas, o tema avance nas comissões e no plenário, exigindo posicionamentos mais claros de deputados e senadores. Enquanto isso, empresários seguem atuando para garantir que suas demandas sejam consideradas no processo legislativo. O debate sobre a jornada de trabalho tem mobilizado diferentes segmentos da sociedade e deve permanecer no centro das discussões econômicas e trabalhistas no País.