O varejo alimentar brasileiro movimentou R$ 1,14 trilhão em 2025, segundo o Ranking Abras 2026, consolidando-se como um dos principais pilares da economia nacional. O resultado representa crescimento de 7,32% em termos nominais e de 3,68% em termos reais, com participação de 9,02% no Produto Interno Bruto (PIB).
O levantamento, elaborado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em parceria com NielsenIQ, Sebrae e Receita Federal, mostra um setor de grande capilaridade, com 439.728 lojas e cerca de 9 milhões de empregos diretos e indiretos.

A expansão reflete tanto o aumento do consumo quanto a adaptação das empresas a novos formatos e tecnologias, em um ambiente ainda marcado por pressão sobre renda e crédito.
O autosserviço segue como principal canal de faturamento, com R$ 563,6 bilhões — o equivalente a 49% do total movimentado pelo setor. Na sequência aparece o atacarejo, com R$ 327,7 bilhões e participação de 29%, consolidando sua relevância no consumo de abastecimento.
As micro e pequenas empresas enquadradas no Simples somaram R$ 167,1 bilhões (15%), enquanto mercearias tradicionais movimentaram R$ 79,4 bilhões. Já os marketplaces ainda têm participação reduzida, com R$ 7,3 bilhões, ou 1% do total.
O desempenho reforça a diversidade de formatos e a importância dos pequenos negócios na cadeia de abastecimento.
Entre as empresas que aparecem nas duas últimas edições do ranking, o faturamento avançou de R$ 647,9 bilhões para R$ 708,3 bilhões, alta de 9,33%.
O número de lojas cresceu 3,68%, passando de 10,3 mil para 10,7 mil unidades. Já o quadro de colaboradores diretos aumentou 5,96%, superando 1,09 milhão de trabalhadores.
Os dados indicam expansão consistente, com geração de emprego acima do crescimento físico da rede, o que sugere maior complexidade operacional e ampliação de serviços.
Entre as maiores empresas do setor, o Carrefour Comércio e Indústria lidera o ranking, com faturamento de R$ 123,59 bilhões. Em seguida aparecem o Assaí Atacadista, com R$ 84,73 bilhões, e o Grupo Mateus, com R$ 43,55 bilhões.
O levantamento reúne mais de mil empresas e evidencia a concentração relevante nas maiores redes, ao mesmo tempo em que mantém espaço para operadores regionais e independentes.
A digitalização avança no varejo alimentar, ainda que de forma desigual. Segundo o ranking, 49,9% das empresas já utilizam soluções digitais ou automatizadas nas lojas físicas.
Entre as principais tecnologias estão self check-out, monitoramento em tempo real com análise inteligente e sistemas antifurto integrados.
O retail media também ganha espaço como nova fonte de receita e relacionamento com a indústria. Entre as redes que adotam a estratégia, 98,7% utilizam espaços físicos em loja, enquanto 77,9% operam mídia digital em canais próprios.
Para 35,8% das empresas, o retail media já é uma alavanca estratégica de rentabilidade. Outras 25,9% o consideram fonte complementar de receita, e 20,7% o utilizam como ferramenta de relacionamento com fornecedores.
Apesar do avanço tecnológico, o uso de inteligência artificial ainda é limitado. Apenas 21% das empresas utilizam IA em alguma etapa da operação ou gestão.
A maioria, 69%, ainda não adotou a tecnologia, enquanto 10% estão em fase de testes.
Entre as empresas que utilizam IA, as aplicações concentram-se em marketing, vendas e áreas administrativas e financeiras, geralmente em projetos pontuais ou pilotos.
O levantamento também aponta a força do canal de farmácias, que movimentou R$ 271 bilhões em 2025.
Os medicamentos representam 70% desse total, com R$ 189,7 bilhões. Já a categoria de higiene e beleza respondeu por R$ 62,3 bilhões, equivalente a 23% do faturamento.
Nesse segmento, o crescimento foi de 8,7%, acima do registrado no autosserviço e no atacarejo, que somaram R$ 75,6 bilhões na mesma categoria, com alta de 4,7%.
A participação da categoria de higiene e beleza é de 23,2% no canal farmácias e de 6,6% no autosserviço e cash & carry.
Os dados do Ranking ABRAS 2026 indicam um setor resiliente, com crescimento sustentado por escala, diversidade de formatos e adaptação tecnológica.
Ao mesmo tempo, desafios como a digitalização plena, a adoção de inteligência artificial e a manutenção do poder de consumo das famílias devem seguir no centro das estratégias das empresas nos próximos anos.