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Varejo

Varejo alimentar cresce e movimenta R$ 1,14 trilhão no País

Setor cresce acima da inflação, amplia presença no PIB e avança na digitalização, apesar de desafios tecnológicos
Por O Correio de Hoje
05/05/2026 | 13:43

O varejo alimentar brasileiro movimentou R$ 1,14 trilhão em 2025, segundo o Ranking Abras 2026, consolidando-se como um dos principais pilares da economia nacional. O resultado representa crescimento de 7,32% em termos nominais e de 3,68% em termos reais, com participação de 9,02% no Produto Interno Bruto (PIB).

O levantamento, elaborado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) em parceria com NielsenIQ, Sebrae e Receita Federal, mostra um setor de grande capilaridade, com 439.728 lojas e cerca de 9 milhões de empregos diretos e indiretos.

supermercado
Setor supermercadista apresenta grande capilaridade em todo o País, além de potencial de crescimento nato Foto: Reprodução / Internet

A expansão reflete tanto o aumento do consumo quanto a adaptação das empresas a novos formatos e tecnologias, em um ambiente ainda marcado por pressão sobre renda e crédito.

O autosserviço segue como principal canal de faturamento, com R$ 563,6 bilhões — o equivalente a 49% do total movimentado pelo setor. Na sequência aparece o atacarejo, com R$ 327,7 bilhões e participação de 29%, consolidando sua relevância no consumo de abastecimento.

As micro e pequenas empresas enquadradas no Simples somaram R$ 167,1 bilhões (15%), enquanto mercearias tradicionais movimentaram R$ 79,4 bilhões. Já os marketplaces ainda têm participação reduzida, com R$ 7,3 bilhões, ou 1% do total.

O desempenho reforça a diversidade de formatos e a importância dos pequenos negócios na cadeia de abastecimento.

Entre as empresas que aparecem nas duas últimas edições do ranking, o faturamento avançou de R$ 647,9 bilhões para R$ 708,3 bilhões, alta de 9,33%.

O número de lojas cresceu 3,68%, passando de 10,3 mil para 10,7 mil unidades. Já o quadro de colaboradores diretos aumentou 5,96%, superando 1,09 milhão de trabalhadores.

Os dados indicam expansão consistente, com geração de emprego acima do crescimento físico da rede, o que sugere maior complexidade operacional e ampliação de serviços.

Entre as maiores empresas do setor, o Carrefour Comércio e Indústria lidera o ranking, com faturamento de R$ 123,59 bilhões. Em seguida aparecem o Assaí Atacadista, com R$ 84,73 bilhões, e o Grupo Mateus, com R$ 43,55 bilhões.

O levantamento reúne mais de mil empresas e evidencia a concentração relevante nas maiores redes, ao mesmo tempo em que mantém espaço para operadores regionais e independentes.

A digitalização avança no varejo alimentar, ainda que de forma desigual. Segundo o ranking, 49,9% das empresas já utilizam soluções digitais ou automatizadas nas lojas físicas.

Entre as principais tecnologias estão self check-out, monitoramento em tempo real com análise inteligente e sistemas antifurto integrados.

O retail media também ganha espaço como nova fonte de receita e relacionamento com a indústria. Entre as redes que adotam a estratégia, 98,7% utilizam espaços físicos em loja, enquanto 77,9% operam mídia digital em canais próprios.

Para 35,8% das empresas, o retail media já é uma alavanca estratégica de rentabilidade. Outras 25,9% o consideram fonte complementar de receita, e 20,7% o utilizam como ferramenta de relacionamento com fornecedores.

Apesar do avanço tecnológico, o uso de inteligência artificial ainda é limitado. Apenas 21% das empresas utilizam IA em alguma etapa da operação ou gestão.

A maioria, 69%, ainda não adotou a tecnologia, enquanto 10% estão em fase de testes.

Entre as empresas que utilizam IA, as aplicações concentram-se em marketing, vendas e áreas administrativas e financeiras, geralmente em projetos pontuais ou pilotos.

O levantamento também aponta a força do canal de farmácias, que movimentou R$ 271 bilhões em 2025.

Os medicamentos representam 70% desse total, com R$ 189,7 bilhões. Já a categoria de higiene e beleza respondeu por R$ 62,3 bilhões, equivalente a 23% do faturamento.

Nesse segmento, o crescimento foi de 8,7%, acima do registrado no autosserviço e no atacarejo, que somaram R$ 75,6 bilhões na mesma categoria, com alta de 4,7%.

A participação da categoria de higiene e beleza é de 23,2% no canal farmácias e de 6,6% no autosserviço e cash & carry.

Os dados do Ranking ABRAS 2026 indicam um setor resiliente, com crescimento sustentado por escala, diversidade de formatos e adaptação tecnológica.

Ao mesmo tempo, desafios como a digitalização plena, a adoção de inteligência artificial e a manutenção do poder de consumo das famílias devem seguir no centro das estratégias das empresas nos próximos anos.

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