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Inesperado
Frio histórico: Bonecos de neve e montanhas cobertas por gelo no Rio de Janeiro
Fotógrafo do GLOBO estava lá e registrou tudo. Confira as imagens
O Globo
29/06/2021 | 17:12

“Meu patrão não vai acreditar que fiquei retido por causa de uma nevasca no Estado do Rio”, disse um turista de São Paulo que só conseguiu deixar o Abrigo Rebouças, no Parque Nacional de Itatiaia, no fim da tarde de segunda-feira. Ele deveria ter voltado para casa na véspera, mas a estrada de acesso havia sido interditada, e, mesmo se a via estivesse aberta, não teria adiantado: Naquele dia 9 de junho de 1985, o combustível no tanque de seu carro fora congelado sob uma temperatura de 6 graus negativos.

 

Foi uma das mais intensas nevascas nas montanhas do Sul Fluminense, região conhecida pelas baixas temperaturas a partir do fim do outono. Várias famílias foram pegas de surpresa no fim daquele feriado prolongado de Corpus Christi e tiveram que deixar seus carros nas estradas de acesso, onde os veículos foram cobertos por cristais de gelo. Presos no abrigo a 2.350 metros de altitude, as pessoas não tinham mais o que fazer além de brincar de produzir bolas e bonecos de neve enquanto esperavam aquela bancura toda derreter. No Pico das Agulhas Negras, 400 metros mais alto, o frio chegou a 10 graus negativos.

 

Turistas em estrada coberta por neve no Parque de Itatiaia, em 1985

Barracas também foram deixadas por aventureiros que, assustados com os ventos, refugiaram-se no Hotel Alsene, da atriz Tania Scher (1947 – 2008). Foram nove horas consecutivas de nevasca. Alpinistas experientes, o belga Jean-Claude e o brasileiro Walter Gonçalo se protegeram num abrigo natural na subida para o Pico das Prateleiras. “A neve nos pegou quando estávamos subindo, no domingo de manhã. Deu medo, mas mantivemos a tranquilidade”, disse o europeu, que só conseguiu voltar ao Abrigo Rebouças na segunda, quando os dois já estavam sendo procurados por socorristas.

A cobertura branca no alto das montanhas podia ser vista do Centro de Resende, a 30 quilômetros de distãncia. Nas primeiras horas da manhã de segunda-feira, os moradores se reuniram nas ruas para ver o espetáculo da neve cintilando, enquanto derretia sob o efeito dos raios de sol que, timidamente, atravessavam a massa de ar polar estacionada sobre o Sul do Estado do Rio.

 

 

Abrigo coberto de neve no Parque de Itatiaia, em 1985

A 170 quilômetros dali, a capital fluminense também sentia os efeitos da frente fria, mas de forma um tanto mais branda. A temperatura mínima registrada na cidade foi de 10 graus, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. Em Ipanema, na Zona Sul, os termômetros marcavam 18 graus, frio o bastante para que os cariocas saíssem de casa usando gorros e cachecois e se “abrigassem” em restaurantes que vendiam café quentinho no Centro no domingo. Recém-chegada de Vassouras, no Sul Fluminense, onde fora passar o feriado, Dalva Almeida desdenhava: “Aqui no Rio não faz frio”.

A onda gelada que se espalhou pelas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste naqueles dias evidenciou a antiga desigualdade social em um país despreparado para temperaturas muito baixas. Moradores de rua morreram de frio em diferentes partes do Brasil. Na edição do dia 11 de junho de 1985, O GLOBO registrou que cinco pessoas foram encontradas mortas na Estação Rodoviária de Brasília, onde as temperaturas beiraram os 3 graus Celsius. Outros três moradores de rua haviam sucumbido ao frio em Curitiba, no Paraná, enquanto um andarilho falecera em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Seu corpo foi encontrado descalço no galpão de uma fazenda.

 

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