A Semana Nacional de Redução da Mortalidade Materna reforça o alerta para um problema que ainda preocupa autoridades de saúde em todo o país. Atualmente, o Brasil registra uma média de 56 mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é reduzir esse índice em quase 50% até 2030, mas especialistas afirmam que ainda há desafios para garantir assistência adequada às gestantes.
A dona de casa Mônica Silva, de 34 anos, que está na Maternidade Escola Januário Cicco aguardando o nascimento do segundo filho, Josué, enfrenta uma gestação de alto risco. “Eu descobri pela pressão alta aí vim para cá, passei a noite mal, vomitando. Fiquei sem andar, essas coisas muito inchadas. Deram o diagnóstico de pré-eclâmpsia”, relatou, em entrevista à TV Tropical.

Na mesma ala de alto risco está a autônoma Luiziane Gonzaga, grávida de oito meses do primeiro filho, Lohan. Ela precisou ser internada para acompanhamento médico após apresentar contrações frequentes durante a gestação. “Meu bebê está tendo muitas contrações, e eu precisei vir para cá para poder controlar”, contou à reportagem.
Segundo especialistas, grande parte das complicações que levam à morte materna pode ser evitada por meio do diagnóstico precoce, acesso aos serviços de saúde e tratamento adequado. “Durante a pandemia, nós tivemos uma elevação dessa mortalidade materna, e até hoje nós não conseguimos diminuir. Isso é muito importante a população saber, que existem causas evitáveis que a mulher não deve morrer quando está grávida ou então no puerpério depois que ela tem o seu bebê”, alertou a médica ginecologista Maria da Guia de Medeiros.
A morte materna é caracterizada quando a mulher falece durante a gravidez, no parto ou no período de até 42 dias após o nascimento da criança. Em 2024, o Brasil registrou 1.347 óbitos maternos, segundo dados apresentados durante a campanha de conscientização. Entre as principais causas dessas mortes estão a hipertensão arterial e as hemorragias, condições que podem ser monitoradas e tratadas quando identificadas precocemente.
“A hipertensão e a hemorragia são as duas causas maiores que levam a mulher morrer, ou ainda grávida, ou então no puerpério. É com um pré-natal adequado, com especialmente um número de consultas, com as medicações que ela precisa usar, que a gente pode prevenir a maioria das doenças”, explicou a médica.
Na tentativa de enfrentar o problema, o governo federal lançou em 2024 a Rede Alyne, programa voltado para a reestruturação da assistência materno-infantil no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os objetivos da iniciativa está a redução da mortalidade materna em 25% até 2027.
Apesar da existência de políticas públicas voltadas para a saúde da mulher, especialistas afirmam que a implementação das medidas ainda enfrenta dificuldades. “A política pública existe. Agora, a política pública nem sempre sai do papel. A gente tem, por exemplo, a Rede Alyne, a gente já está nessa rede há quatro anos e poucas são as coisas que aconteceram de fato “, afirmou a ginecologista.
Além dos impactos para a saúde pública, a morte materna provoca consequências duradouras para as famílias. Por isso, profissionais de saúde reforçam a importância de procurar atendimento médico diante de qualquer sinal de alerta durante a gravidez.