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Entrevista
Deputado Rafael Motta critica falta de projetos da oposição: “São apenas do contra?”
Parlamentar diz que pode disputar reeleição e revela que não se eximirá de responsabilidade, caso venha a ser convocado para um projeto majoritário
Redação
08/05/2021 | 08:28

O presidente estadual do PSB, deputado federal Rafael Motta, criticou a ausência de projetos da oposição no Rio Grande do Norte, se traduzindo na falta de um nome de consenso para disputar o governo do Estado no ano que vem e consequentemente favorecendo a reeleição da governadora Fátima Bezerra (PT). Em sua avaliação, falta consenso e coragem aos nomes da oposição até agora.

“Percebo que a oposição está com dificuldades de convergir em um nome, o que favorece a reeleição da governadora. Não há quem seja consenso ou que tope o desafio. Isso fragiliza argumentos: estão juntos porque defendem um projeto ou simplesmente porque são contra?”, questiona ele, em entrevista ao Agora RN.

Segundo o parlamentar federal, confirma esta análise o fato de o senador Styvenson Valentin (Podemos) aparecer como candidato único até agora para disputar o governo, “mas nenhuma força política de oposição manifestou apoio. Por que? O que essas lideranças buscam afinal?”, questiona.

Nesta entrevista ao Agora RN, além de discorrer sobre o pleito de 2022, Rafael Motta avalia a gestão dos governos Fátima e Bolsonaro no enfrentamento à pandemia da Covid-19. Sobre o projeto do PSB, confirma que poderá disputar à reeleição, mas não se exime de responsabilidade, caso venha a ser convocado para um projeto majoritário. Confira a integra da entrevista a seguir:

AGORA RN – Que avaliação faz do atual momento em relação à COVID, no Brasil e no RN?

Rafael Motta – Estamos em um dos países do mundo onde a pandemia tem sido mais cruel e o brasileiro aprendeu da pior forma possível como a condução de um governo exige responsabilidade. Minha preocupação agora, além das vacinas, é no atraso que vamos ter quando os outros se restabelecerem e nós ficarmos patinando, com grave comprometimento à circulação de pessoas, produtos e capitais.

AGORA RN – Que espera da CPI da COVID?

RM – Que possa fazer o Brasil entender como chegamos aqui. As razões de estarmos nos piores rankings do mundo em relação à pandemia. O brasileiro quer justiça sobre coisas pequenas e não está errado, mas não atenta ao fato de que decisões governamentais podem devastar, matar pessoas. Precisamos ter isso em mente e responsabilizar quem fez ou não fez.

AGORA RN – Como o governo Bolsonaro tem atuado no enfrentamento da pandemia?

RM – Não tem atuado, esse é o problema. É muito triste a realidade atual do Brasil. O presidente quer fazer graça com quem tem falta de ar. A graça que ele faz é a razão da nossa desgraça.

AGORA RN – E no tocante ao RN, qual avaliação faz da gestão da pandemia?

RM – Virou palanque. Uma pena. Perdemos tempo com o desentendimento sobre decretos e não pudemos usufruir da soma de forças, muito importante neste momento. Felizmente as pessoas mesmas ganharam consciência e não faltou solidariedade.

AGORA RN – Em relação à Câmara dos Deputados, de que maneira o senhor tem contribuído com o atual momento?

RM – Com projetos. Conseguimos mudar o Orçamento 2021, para que deputados e senadores pudessem enviar recursos para as vacinas. Conseguimos viabilizar R$ 1 bilhão para todo o país. Aprovamos lei para permitir a doação de comidas por restaurantes e supermercados. E estamos na luta para aprovar uma pena maior para quem roubar vacina e insumos, para reduzir juros de cartões e de cheque especial e para impedir aumento no valor de medicamentos enquanto durar a pandemia.

AGORA RN – Em relação a 2022, já se fala sobre cenários: Qual avaliação faz sobre possibilidade de reeleição de Fátima Bezerra?

RM – Percebo que a oposição está com dificuldades de convergir em um nome, o que favorece a reeleição da governadora. Não há quem seja consenso ou que tope o desafio. Isso fragiliza argumentos: estão juntos porque defendem um projeto ou simplesmente porque são contra? Veja que o senador Styvenson aparece como candidato, mas nenhuma força política de oposição manifestou apoio. Por que? O que essas lideranças buscam afinal?

AGORA RN – Seu nome está à disposição para disputar outros cargos, ou pretende a reeleição?

RM – Essa é uma decisão que é mais da população do que minha. Mas estou feliz em poder defender direitos em Brasília nas reformas, em poder entregar bons projetos, emendas importantes, como a da vacina. A continuidade desse trabalho me deixaria sim contente demais. Se eu contar com o apoio das pessoas, seguirei firme.

AGORA RN – Seu nome também está à disposição para disputar cargos majoritários como o de senador?

RM – O PSB tem vocação para cargos majoritários. A história do partido no Brasil e no RN mostra isso. Não é algo que se sobreponha ao trabalho que faço hoje. Mas diante de risco de o Senado ganhar representante nosso para retirar direitos das pessoas, não tenho razão para hesitar.

AGORA RN – Como está o PSB no RN?

RM – Presente em todo o Estado. Prefeitos, ex-prefeitos, vice- -prefeitos, vereadores. Temos trabalhado bastante o partido. Agora, o diálogo que fazemos com outras legendas é grande. Por isso as lideranças que defendem o nosso trabalho não são apenas do PSB. Nem tampouco eu faço essa imposição. Sempre fui do diálogo e de deixar todos à vontade.

AGORA RN – Que acha da liberação de Lula para ser candidato?

RM – Acho que Moro pôs toda a versão sobre os ocorridos em xeque quando aceitou ser ministro. O caso de Lula, por causa disso, vai ser revisto. E a minha fala não é um ateste de inocência. Mas ele não vai ser investigado pelo exercício da Presidência? Então só um juiz em exercício correto da magistratura pode fazer isso.

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