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Eleições 2026

Rogério defende Flávio e diz que conversa com Vorcaro foi “criminalizada”

Senador afirma que relação entre pré-candidato e empresário Daniel Vorcaro foi privada, critica investigações e diz que PL não trabalha com plano alternativo para a disputa presidencial
Por O Correio de Hoje
26/06/2026 | 16:38

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e um dos coordenadores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), saiu em defesa do pré-candidato do partido diante das investigações envolvendo o Banco Master.

Em entrevista ao Jornal das 6, da 96 FM Natal, o parlamentar sustentou que a relação entre Flávio e o empresário Daniel Vorcaro teve natureza exclusivamente privada e comercial, criticou o que chamou de “criminalização” do episódio e descartou qualquer possibilidade de substituição do nome escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para disputar a Presidência da República em 2026.

Sen Rogerio Marinho foto Carlos Moura
Sen Rogerio Marinho - Foto: Carlos Moura

O senador potiguar negou qualquer irregularidade na captação de recursos para o filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro patrocinada pelo banco controlado por Daniel Vorcaro. Segundo ele, a operação não envolveu dinheiro público nem troca de favores, mas apenas uma negociação entre agentes privados.

“É uma relação privada entre uma empresa e um investidor, onde havia um produto a ser oferecido. Essa relação privada, que é perfeitamente normal, foi criminalizada pela maneira como foi exposta em cima de um vazamento seletivo de uma Polícia Federal que ou está aparelhada ou é incompetente para permitir que o vazamento ocorra”, afirmou.

Na avaliação do senador, a cobertura do caso envolvendo Flávio contrasta com a pouca atenção dada, segundo ele, às relações mantidas por integrantes do governo Lula com Daniel Vorcaro. Rogério citou encontros do empresário com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o senador Jaques Wagner.

“Essa relação que é escandalosa, que é promíscua, que está mal explicada, eu não vejo o mesmo volume da imprensa se debruçar sobre ela como uma relação privada entre duas pessoas privadas”, declarou.

Questionado sobre o fato de Flávio Bolsonaro ter negado inicialmente qualquer relação com Vorcaro, Rogério respondeu que havia uma cláusula de confidencialidade no contrato firmado entre as partes, cuja quebra poderia gerar sanções.

“Havia uma cláusula de confidencialidade, que inclusive implicava em multa e numa série de sanções”, afirmou. Embora tenha admitido que, olhando os fatos posteriormente, outras decisões poderiam ter sido tomadas, ponderou que análises feitas “como engenheiro de obra pronta” não levam em consideração as circunstâncias existentes naquele momento.

O senador também minimizou novas informações divulgadas sobre encontros entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro antes da formalização do patrocínio. Para ele, seria natural que houvesse reuniões antes da assinatura de um contrato desse porte.

“É evidente que você não consegue um patrocínio com uma ligação telefônica, é evidente que deve ter havido um contato”, disse.

Rogério acrescentou que diversas empresas de comunicação e instituições financeiras também negociavam com o Banco Master à época.

“A Record estava conversando, o SBT estava conversando, a CNN estava conversando, o BTG estava conversando. Então, transformar isso numa novidade é uma tentativa de requentar uma situação que não criminaliza essa ação”, afirmou.

Durante a entrevista, Rogério também descartou qualquer possibilidade de mudança na candidatura presidencial do PL, apesar dos desgastes recentes. Segundo ele, Jair Bolsonaro já definiu quem representará o grupo político na disputa de 2026.

“Nós temos um líder. Nós respeitamos essa liderança pelo que ele demonstrou quando exerceu a presidência da República. Este líder apontou o caminho, indicou quem seria o seu representante”, afirmou.

Em seguida, rebateu especulações sobre um plano alternativo.

“Nós não temos plano A, B, C, D, E. Nós temos um plano F: vamos ganhar as eleições.”

Rogério atribuiu as discussões sobre eventual substituição de Flávio Bolsonaro a setores insatisfeitos dentro do campo conservador.

“Esse papo de mudança de candidatura se dá por aqueles insatisfeitos que tiveram frustradas as suas expectativas”, declarou.

O senador afirmou ainda que pesquisas internas mostram recuperação da pré-candidatura após o episódio envolvendo o Banco Master e sustentou que Flávio aparece entre 30% e 35% das intenções de voto.

“Se você despreza o que diz a matemática e a vontade da população, você está fadado a perder as eleições. Nós não estamos discutindo aqui Bolsonaro e Lula. Estamos discutindo qual é o Brasil que nós queremos”, afirmou.