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Política

Lula escolhe Teresa Leitão para liderança do governo no Senado

Senadora pernambucana assume articulação de projetos prioritários do Planalto em meio ao desgaste provocado pelas investigações envolvendo o ex-líder governista
Por O Correio de Hoje
26/06/2026 | 15:56

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira 25 a escolha da senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado, em substituição a Jaques Wagner (PT-BA), que deixou o cargo após ser alvo de investigação relacionada ao caso Banco Master.

O anúncio foi feito por Lula nas redes sociais. Segundo o presidente, Teresa terá a missão de conduzir a articulação política de projetos considerados prioritários pelo governo no Senado.

Teresa Leitão foto Waldemir Barreto Senado
Senadora de Pernambuco vai substituir Jaques Wagner após operação da PF - Foto: Waldemir Barreto / Senado

“Designei a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado com a missão de articular o debate e a aprovação de projetos de interesse da população brasileira que estão em tramitação, como o fim da escala 6 por 1 e a PEC da Segurança, entre outros”, escreveu.

A decisão havia sido tomada ainda na quarta-feira, pouco depois de Jaques Wagner comunicar a Lula que deixaria a liderança. O senador resistiu por cinco dias antes de aceitar a saída, definida durante uma reunião de cerca de duas horas no Palácio da Alvorada. A mudança ocorreu em meio ao avanço das investigações sobre a suposta atuação de Wagner em favor do Banco Master em troca de “vantagens indevidas”, caso que provocou desgaste político para o governo às vésperas da campanha pela reeleição.

Ao anunciar sua saída, Wagner afirmou que a decisão ocorreu de “comum acordo” com o presidente e classificou o encontro como uma “conversa entre amigos”. Ele também desejou sucesso à sucessora.

“Colega valorosa, Teresa é uma senadora preparada e comprometida para cumprir essa função com todo o empenho e dedicação.”

Segundo aliados do presidente, a escolha de Teresa Leitão levou em consideração o fato de a senadora estar na metade do mandato e, por isso, não disputar eleições neste ano. Entre os senadores petistas, apenas ela, Beto Faro (PA) e Camilo Santana (CE) permanecem com mandato além da atual legislatura. Integrantes do governo também apontam que o fato de ser mulher contribuiu para a decisão.

Embora esteja em seu primeiro mandato no Senado, Teresa, de 74 anos, é considerada uma parlamentar experiente. Antes de chegar à Casa, exerceu cinco mandatos consecutivos como deputada estadual em Pernambuco. Atualmente, possui grupo político próprio dentro do PT pernambucano e mantém proximidade com João Campos (PSB), presidente nacional do partido e pré-candidato ao Governo de Pernambuco.

Outros nomes chegaram a ser cogitados para a função. O senador Otto Alencar (PSD-BA) era uma das possibilidades, mas Lula avaliou que sua permanência na presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) era estratégica para o governo. Já Camilo Santana foi descartado diante da necessidade de acompanhar, no segundo semestre, a disputa eleitoral no Ceará, onde o governador Elmano de Freitas (PT) buscará a reeleição em um cenário de crescimento da candidatura de Ciro Gomes (PSDB), segundo pesquisas.

Nos bastidores, interlocutores do Planalto afirmam que a saída de Jaques Wagner foi construída para permitir que o senador concentrasse esforços em sua defesa e, ao mesmo tempo, reduzisse o desgaste político para o presidente. Desde a operação da Polícia Federal, deflagrada na semana passada, aliados de Lula no Congresso e no Palácio do Planalto defendiam que ele deixasse a liderança do governo.

O cumprimento dos mandados de busca e apreensão provocou desconforto entre governistas, sobretudo após a divulgação de imagens de US$ 49 mil em espécie encontrados em um endereço ligado ao senador em Brasília. Somando também dólares e euros apreendidos em um imóvel de Wagner em Salvador, a Polícia Federal recolheu valores equivalentes a cerca de R$ 482 mil, conforme a cotação atual.