A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para ocupar a vice de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aumentou a insatisfação de setores do partido com o coordenador da campanha presidencial, Rogério Marinho (PL-RN). O senador já era criticado pelo resultado das negociações com outras legendas, encerradas sem a adesão de um novo partido à coligação.
Responsável pela articulação política de Flávio, Marinho tinha a missão de ampliar a candidatura para além do eleitorado bolsonarista. As conversas com União Brasil, PP, Republicanos e Podemos, entretanto, não prosperaram. Reservadamente, um dirigente do PL resumiu a cobrança afirmando que o senador “não conseguiu um segundo a mais de tempo de TV” para o candidato.

A falta de aliados terá impacto direto na propaganda eleitoral. Projeção feita pelo jornal O Globo, com base nas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estima que Flávio terá aproximadamente 4 minutos e 20 segundos em cada bloco. O presidente Lula, apoiado por uma coligação mais ampla, deverá contar com cerca de 5 minutos e 32 segundos.
Marinho chegou a ser considerado para a vice depois que fracassaram as tentativas de atrair uma mulher filiada a outro partido. A hipótese enfrentou resistência de aliados do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que temiam a concentração de ainda mais espaço político nas mãos do coordenador. No início de julho, nomes ligados a esse grupo, como o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fábio Wajngarten e o influenciador Paulo Figueiredo, fizeram críticas públicas à condução da pré-campanha.
A permanência de Marinho fora da chapa, contudo, não contraria seus projetos eleitorais. O senador demonstrava pouca disposição para aceitar a indicação porque pretende renovar o mandato e, caso encontre um cenário favorável em 2027, disputar a presidência do Senado.
Gaspar foi escolhido com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, após uma negociação conduzida por Flávio, Marinho e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. As conversas avançaram somente nos últimos dias, e o anúncio foi preparado de última hora.
A candidatura espera explorar a atuação do deputado alagoano como relator da CPI do INSS para intensificar os ataques ao governo Lula. Sua passagem pelo Ministério Público e pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas também deverá sustentar o discurso da chapa na área da segurança.
Antes da definição, uma das principais apostas do PL era atrair a federação União Progressista. Flávio chegou a convidar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para a vice, mas o PP decidiu permanecer neutro depois de consultar seus diretórios estaduais. O União Brasil também rejeitou a adesão.
Outra tentativa ocorreu com o Republicanos. Marinho, Flávio e Valdemar reuniram-se com o presidente da legenda, Marcos Pereira, mas não conseguiram reverter a tendência de neutralidade. Entre os 27 diretórios estaduais consultados, 17 defenderam posição neutra, nove apoiaram Flávio e um preferiu Lula. O resultado também inviabilizou a indicação de Daniella Marques para a vice.
Na reta final, interlocutores da campanha ainda sondaram a presidente do Podemos, Renata Abreu. A legenda, porém, igualmente decidiu não integrar formalmente a coligação. Sem o apoio pretendido do Centrão, o PL encerrou as convenções com uma chapa formada apenas por integrantes do próprio partido.